Washington, 05 (AE) - Brian Atwood, o administrador da USAID e embaixador nomeado dos Estados Unidos no Brasil, continua a preparar a mudança para Brasília. Mas quando ela acontecerá é uma questão ainda nebulosa.
O plano inicial de Atwood de assumir a embaixada em junho ou julho complicou-se com as novas responsabilidades que ele assumiu de coordenar a assistência dos EUA aos refugiados do Kosovo. Além disso, até agora o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Jesse Helms, um arquiconservador da Carolina Norte e crítico ferrenho da USAID, não marcou a sabatina de confirmação do novo embaixador e não demonstrou nenhuma pressa em fazê-lo.
A demora e o veneno que o fracasso do processo de impeachment do presidente Bill Clinton deixou entre republicanos já alimentam especulações de que a nomeação de Atwood poderia se tornar alvo de um acerto de contas político. Ex-diplomatas lembram que a última vez que um presidente republicano - George Bush - nomeou um embaixador para o Brasil - o diplomata de carreira Alexander Watson -, a Comissão de Relações Exteriores do Senado, então sob controle do Partido Democrata, não tomou conhecimento e a nomeação caducou.
Bem mais complicada é a situação do embaixador que Clinton escolheu para a Argentina, onde a representação americana está sem titular há mais de dois anos. Hassan Nemazee, imigrante de origem iraniana com diploma de Harvard e grande provedor de fundos para o Partido Democrata, foi identificado pela Casa Branca apenas como "um investidor de Nova York", quando Clinton anunciou sua nomeação, no início do ano.
Mas uma investigação feita pela revista Forbes revelou que Nemazee fez seu nome no mercado financeiro envolvendo-se em operações mal explicadas. Numa delas associou-se a um cubano-americano e criou uma empresa "10% hispânica" para participar de um programa especial que dava preferência a firmas de membros de minorias étnicas na administração de recursos do fundo de pensão dos funcionários do Estado da Califórnia. Segundo a Forbes, Nemazee comprovou sua identidade hispânica com um passaporte venezuelano que conseguiu graças a amigos bem situados em Caracas. De acordo com a revista, anteriormente ele já se apresentara como asiático-indiano (seu pai, um ex-armador iraniano ligado ao regime do xá, nasceu em Bombaim) para qualificar-se como administrador de um fundo em Nova York, que também dava preferência a gerentes de minorias étnica.
Aparentemente, a reportagem da Forbes matou a nomeação de Nemazee e o departamento de Estado já teria indicado ao governo argentino para não esperar por sua chegada. Mas substituir seu nome é uma operação delicada para a Casa Branca, pois Nemazee foi indicado pelo vice-presidente Albert Gore, para cuja campanha política já levantou centenas de milhares de dólares. O ex-futuro embaixador dos EUA em Buenos Aires e meia dúzia de parentes contribuíram também com US$ 10 mil cada um para o fundo criado para pagar os advogados que defenderam Clinton nos processos judiciais e de impeachment gerados pelos escândalos sexuais que pontuaram sua presidência.
O fiasco da nomeação de Nemazee forneceu aos republicanos munição que eles não se furtarão a usar às vésperas do início de uma campanha presidencial na qual Gore deve ser o candidato democrata.

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