Trabalho voluntário de Gabriel começou quando ele percebeu as dificuldades dos alunos em química: "Me disponibilizei para revisar o conteúdo à tarde"
Trabalho voluntário de Gabriel começou quando ele percebeu as dificuldades dos alunos em química: "Me disponibilizei para revisar o conteúdo à tarde" | Foto: Celso Pacheco



Dois paranaenses foram selecionados pelo Programa Jovens Embaixadores, iniciativa de responsabilidade social da Embaixada dos Estados Unidos que dá a oportunidade a 50 jovens da rede pública do ensino médio de viajar por três semanas aos EUA com todas as despesas pagas. Os nomes dos escolhidos, Ana Laura Becker Zierhut, de Guarapuava, e Gabriel Vinicius Silva Vieira de Souza, de Londrina, foram divulgados no final de outubro como integrantes do grupo que embarca em janeiro.
Uma das exigências no processo seletivo era que os inscritos já desenvolvessem algum trabalho voluntário em suas comunidades, além de ter atitudes positivas e falar inglês. O londrinense Gabriel de Souza, por exemplo, foi responsável pela criação de uma monitoria na Escola Estadual Barão do Rio Branco, localizada no Jardim Petrópolis (zona sul).
A família mora em uma chácara nas proximidades do Conjunto Habitacional Jamile Dequech. O pai de Gabriel, Roberto Vieira de Souza, é aposentado por invalidez por ter uma doença chamada Charcot-Marrie-Tooth, que atinge os nervos e provoca perda da sensibilidade das mãos e dos pés e de massa muscular. A enfermidade é hereditária e Gabriel sofre da mesma doença. "Essa doença vai avançando devagarinho e não tem cura. A gente só tem fé em Deus para que a doença não evolua", relata a mãe do adolescente, Marilza Souza.
A vice-diretora Escola Estadual Barão do Rio Branco, Ana Cristina Sayuri Ogawa, que foi a coordenadora da monitoria, relata que até pouco tempo atrás não sabia que Gabriel tem a doença. "Foi na preparação dos exames para o programa Jovens Embaixadores que ele comentou comigo. Isso me fez admirá-lo ainda mais, porque muitos na mesma situação se abateriam e ele não. Ele vai aprendendo, vai ensinando e vai fazendo as coisas", relata. "Ele tem foco e vontade de ajudar e aprender."
A história do trabalho voluntário de Gabriel começou quando ele percebeu as dificuldades que os alunos têm em química. "Conversei com a Ana Cristina para ver se dava para fazer alguma coisa e me disponibilizei para revisar o conteúdo no período vespertino. Percebi que os alunos demonstraram interesse e fui expandindo para outras disciplinas", revela o estudante.
Gabriel recebe o conteúdo da monitoria uma semana antes para preparar o material que será trabalhado no reforço escolar. "Mesmo a monitoria de filosofia, cujo assunto ele não domina, ele busca conversar com pessoas que conhecem mais sobre o assunto para se aprimorar. Ele também mantém contato com os professores para não fugir da metodologia aplicada em sala de aula", aponta Ana Cristina.
Depois de passar pelo programa, o plano de Gabriel é fazer curso superior de Física e se especializar em Física Quântica. "A graduação pretendo fazer no Brasil e a pós-graduação quero fazer lá fora", projeta. Ele já faz planos para quando começar a faculdade. "Na Universidade Estadual de Londrina existe o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid). Quero fazer parte dele e dar aulas no cursinho que a UEL oferece", adianta.
A ideia do programa é que os participantes transformem-se em embaixadores que fortalecerão os vínculos de amizade, respeito e colaboração entre os Estados Unidos e o Brasil. A coordenadora do programa, Márcia Mizuno, relata que a parceria visa fortalecer a rede pública, mostrando que "vale a pena ser bom aluno e trabalhar em prol da comunidade".
O programa foi implantado no Brasil em 2002 e já no primeiro ano duas alunas foram recebidas pelo então secretário de Estado dos Estados Unidos Colin Powell, que ficou encantado com o programa. "O projeto ganhou prêmios do Departamento de Estado americano e desde 2010 foi implementado em todos os países do continente americano", explica. Sem contar o grupo recém-selecionado, já participaram do programa 467 estudantes brasileiros. "A cada ano tem crescido muito o número de inscrições. Este ano foram 18.794 inscrições para 50 vagas", destaca.
Os estudantes serão divididos em cinco grupos e cada um ficará em uma região. "Eles irão viver com família norte-americanas, irão para escolas e vão fazer apresentações sobre o Brasil. Depois disso ficarão cinco dias em Washington e visitarão locais como a Casa Branca", diz Márcia.

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