São Paulo, 10 (AE) - O embaixador da Indonésia no Brasil, Sutadi Djajakusuma, negou hoje (10) que os militares indonésios estejam envolvidos em saques, ataques e assassinatos de civis e religiosos em Timor Leste. Para o presidente americano, Bill Clinton, é evidente que as forças militares indonésias colaboram com a violência das milícias pró-Jacarta.
Em entrevista coletiva em São Paulo, Djajakusuma disse ser falsas as acusações de diplomatas e observadores estrangeiros contra os militares indonésios. Segundo ele, em ocasiões como esta "as pessoas falam o que querem".
O embaixador indonésio reiterou que Jacarta não aceitará o envio de uma força de paz a Timor Leste, mas apenas a colaboração das Nações Unidas enquanto o território passar pela fase de transição, isto é, até novembro, quando o Parlamento da Indonésia votará a ratificação do resultado do plebiscito.
Ele lembrou que a Indonésia é um país soberano e firmou em maio, em Nova York, um acordo com Portugal no qual se responsabilizava em garantir a segurança na ex-colônia portuguesa.
Mas haverá sobreviventes até novembro? O diplomata respondeu que Jacarta tem o dever de proteger tanto os funcionários da ONU quanto os civis, acrescentando que a segurança dos timorenses sempre foi preocupação da Indonésia. "Desde que Portugal abandonou Timor, eles começaram a matar-se uns aos outros", acusou.
Sobre a possível participação de tropas brasileiras em uma força de paz, Djajakusuma disse apoiar uma eventual ajuda do Brasil, desde que sob coordenação da ONU e "no momento oportuno" (ou seja, depois de novembro, se houver necessidade, pois ele acredita que até lá a situação esteja sob controle).
O movimento Clamor por Timor e entidades democráticas realizarão na segunda-feira, às 19h30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo um ato em solidariedade ao povo timorense e ao líder da resistência, Xanana Gusmão.

mockup