Paris, 13 (AE) - O embaixador da Indonésia em Paris, Daadang Sukandar, aventou hoje (13) a possibilidade de uma "mão invisível " ter contribuído para os recentes massacres no Timor Leste, rejeitando a tese de que os militares indonésios possam ser cúmplices das milícias.
Ele acusou essa "mão invisível" de estar intervindo direta ou indiretamente, agravando a crise e contribuindo para desacreditar seu país. O embaixador fez essas declarações durante uma entrevista à emissora de televisão "LCI " (CNN francesa), admitindo a possibilidade de ter sido organizado um "complô externo" contra a Indonésia.
Em nenhum momento o embaixador Dadang Sukandar admitiu identificar a origem dessa "mão invisível" no exterior.
Mais fácil foi identificar a mão visível que cobriu a milícia indonésia nos massacres e deportação da população do Timor Oriental, pois apesar da expulsão dos fotógrafos e cinegrafistas, inúmeras cenas revelando a cumplicidade entre milicianos e soldados puderam ser filmadas e exibidas pelas emissoras de televisão.
Diante da evidência das imagens exibidas, o representante diplomático da Indonésia em Paris admitiu a existência de certos "indivíduos indisciplinados" entre os militares, mas reafirmou que tudo foi feito para contê-los.
Ele defendeu o conjunto das forças armadas que tudo fizeram para restabelecer a ordem no território do Timor, lembrando que a Indonésia aprovou o referendo e seu resultado em favor da independência. Ele desmentiu também a existência de divisões entre os militares, garantindo que o presidente Habibie controla inteiramente os militares de seu país.
Indagado por que os 15 mil homens do Exército indonésio no Timor não utilizaram a força para impedir os massacres praticados pelos milicianos, o embaixador indonésio deixou transparecer toda cumplicidade existente entre eles : "Porque o Exército não pode atirar contra patriotas".

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