O embaixador do Chile no Brasil, Juan Martabit, está pressionando o governo brasileiro para que seja dada um solução rápida para o caso dos sequestradores do empresário Abílio Diniz. ‘‘Queremos eles o quanto antes no Chile, e os queremos vivos, não mortos’’. Cinco chilenos estão entre os oito sequestradores que permanecem no Brasil. Ontem, eles entraram no 17 º dia de greve de fome, ultrapassando os 16 dias que a greve de fome, feita pelo grupo em abril, havia durado. Martabit disse que a Chancelaria de seu país está ‘‘seguramente analisando’’ a possibilidade de o presidente chileno, Eduardo Frei, tratar desse caso com o presidente Fernando Henrique na visita oficial que fará na próxima semana ao Brasil.
O embaixador reuniu-se ontem com o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Dirceu de Mello, a quem pediu prioridade para a decisão sobre a revisão criminal dos presos. ‘‘Confiamos na Justiça’’. Os sequestradores estão estudando a possibilidade de radicalizar a greve fome parando de beber água. Desde o início, os oito que permanecem presos no Brasil recusam-se a comer, mas aceitam água. Os sequestradores informaram o plano aos membros do Comitê de Apoio aos Presos. A recusa da água pode começar na próxima semana. Ontem, o grupo negou-se a receber potássio. Três deles estão com níveis baixos de potássio no sangue.
‘‘Ainda não é um nível no qual haveria risco iminente para a vida deles’’, disse a médica Sueli Morano, diretora do pronto- socorro do Hospital das Clínicas (HC). A falta de potássio pode ocasionar parada cardíaca. ‘‘Estamos monitorando seus batimentos cardíacos por aparelhos’’. Os presos internados no HC foram visitados pelo coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, e pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de São Paulo, deputado Renato Simões (PT).

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