Buenos Aires, 15 (AE) - "Se não formos capazes de fazer algo de impacto, algo importante, o Mercosul se dirigirá para uma morte sem glória". A declaração, do embaixador do Brasil na Argentina, Sebastião do Rego Barros, abriu o seminário "Política Exterior Brasileira", organizado pela Embaixada do Brasil e a Universidade de Bologna em Buenos Aires. Rego Barros afirmou que o Mercosul "está há muito tempo sem avançar". Referindo-se às negociações comerciais, lamentou que "só temos avançado nas partes técnicas".
O embaixador brasileiro sustentou que "pouco foi feito depois da cúpula de presidentes de Montevidéu", em 1997, quando "se deu um grande sinal de coesão, além de preparar uma lista das coisas que tínhamos que fazer. Mas desde então não avançamos muito".
Referindo-se às recentes crises comerciais entre o Brasil e a Argentina, Rego Barros sustentou que ambos países sobreviveram ao conflito, e que não foi manchado o sentido de solidariedade que os une. Apesar disso, o embaixador fez um alerta, deixando claro que é preciso avançar para o futuro: "não podemos continuar utilizando capital do passado".
O professor Demétrio Magnoli, da USP, foi outro dos convidados, que dissertou sobre "Brasil, Argentina e o Sistema Internacional". Magnoli admitiu preocupação por "estarmos vivendo a primeira grande crise do Mercosul", mas afirmou que o bloco comercial do Cone Sul não será destruído por ela:"o bloco está em um ponto de não-retorno", disse.
Segundo o especialista em política internacional, o Brasil e a Argentina precisam um do outro, já que "isoladamente não são atores significativos". Marcos Abott Galvão, sub-chefe do gabinete do chanceler Luiz Felipe Lampréia, foi outro dos palestrantes, e falou sobre "a política externa do governo FHC". Segundo Galvão, o Mercosul "internacionaliza" o Brasil, e citou como uma das consequências disso o investimento neste ano de US$ 25 bilhões, tornando-se assim o segundo País do mundo a receber investimentos externos, depois da China.

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