Embaixador argentino diz que o Brasil "dramatiza" disputa comercial
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segunda-feira, 26 de julho de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 27 (AE) -O embaixador argentino em Brasília, Jorge Hugo Herrera Vegas, refutou hoje todos os argumentos do Brasil sobre as decisões que levaram o governo Menem a adotar barreiras contra as importações. "Temos de desdramatizar estas questões econômicas e resolvê-las por vias do mecanismo de solução de controvérsias, previstos no Protocolo de Brasília", disse o embaixador em entrevista à Agência Estado.
De acordo com Vegas, cada país é soberano para adotar medidas necessárias para proteger sua indústria e, em caso de discordâncias, existem árbitros para resolver esse contenciosos comercias. "Essa é a forma mais correta de resolver os problemas e não por meio te declarações à imprensa", afirmou o embaixador.
Vegas informou estar aguardando um telefonema do subsecretário de relações Internacionais e de Comércio Exterior, embaixador José Alfredo Graça Lima, para esclarecer que "reunião extraordinária é essa que o Brasil quer". Segundo o embaixador, até agora o único comunicado oficial encaminhado à Embaixada foi o pedido de reunião do Comitê de Solução de Controvérsias para a questão dos têxteis.
Em momento algum, disse, foi solicitada a convocação extraordinária do Conselho do Mercosul, órgão máximo do bloco formado pelos ministros de Relações Exteriores e de Economia dos quatro países-membros. Semestralmente o conselho faz reuniões ordinárias, das quais participam ainda os presidentes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Indagado sobre o fato de a Argentina não ter recorrido às vias normais de negociação antes de impor barreiras às importações, Vegas disse que os confrontos sempre existiram e devem continuar a existir. "Um dia o Brasil decidiu adotar a obrigatoriedade de licenças de importação e nós não gostamos. Iniciamos um processo via Comitê de Solução de Controvérsias, no qual os árbitros decidiram em favor da Argentina. É assim que se resolvem os problemas", explicou.
Com isso o embaixador resumiu todo o conflito e sugeriu que agora é a vez do Brasil recorrer ao mesmo comitê. Perguntado se a situação criada o preocupa, Vegas respondeu não, que dinheiro em jogo não o preocupa. "O que me preocupa é uma guerra nas Malvinas, o afundamento do Belgrano ou até mesmo ver sangue, mas dinheiro não", acrescentou o embaixador. Ele atribui as declarações exacerbadas dos funcionários do governo brasileiro à pressão do setor privado e dos setores que se sentem prejudicados. .
Para ele é mais fácil administrar um processo de integração econômica com países em crescimento do que durante uma fase recessiva, como a que vivem a Argentina e o Brasil. O embaixador não acredita também que as eleições presidencias argentinas, marcadas para outubro, sejam um fator preponderante no conflito aberto com a imposição de barreiras não-tarifárias contra o Brasil e os outros países do Mercosul. "É um fator muito importante que tem de ser levado em conta, mas não creio que tenha influenciado nas decisães que foram tomadas pelo presidente Menem", acrescentou.


