Buenos Aires, 18 (AE) - "Durante sete anos ninguém deu uma explicação, durante sete anos não houve um avanço nas investigações. A responsabilidade da falta de soluções não é do governo argentino, é da Corte Suprema". Com estas palavras, o embaixador de Israel na Argentina, Yitzak Aviran, acusou a Corte Suprema de Justiça deste país de descaso nas investigações sobre o atentado que, em 1992, destruiu a Embaixada de Israel em Buenos Aires.
Em declarações à imprensa estrangeira por ocasião do sétimo aniversário do ataque terrorista, Aviran disse que a Corte Suprema havia agido com "negligência e incapacidade" durante este período. Na Argentina, a Corte Suprema é a encarregada das investigações de crimes envolvendo países estrangeiros.
O embaixador criticou a Corte pela atitude errática que tomou poucos dias após o atentado, quando começou a insistir na tese de que não havia existido um carro-bomba, e que a explosão teria sido uma implosão. Segundo esta teoria, a demolição do edifício teria sido causada por um arsenal escondido no porão da Embaixada. Aviran disse que existiam provas suficientes de que havia sido um carro-bomba, começando pela cratera de um metro e meio de profundidade deixada na rua diante do prédio.
Segundo o embaixador, já existe a certeza de que os autores do atentado foram terroristas fundamentalistas do grupo Hizbollah. Outro dado confirmado é que o atentado foi realizado através de um carro-bomba (uma camionete F-100), dirigido por um motorista-kamikaze.
Além disso, Avirán afirmou que também existe a confirmação de que os guardas da polícia federal que deveriam estar vigiando o edifício da Embaixada não estavam presentes no momento do atentado.
Em Buenos Aires, analistas sustentam que por causa de pressões da comunidade judaica internacional e dos governos de Israel e dos Estados Unidos, nos próximos dias a Corte anunciaria uma resolução onde responsabilizaria como autor do ataque o grupo Jihad Islâmica, um dos braços armados do Hizbollah.
Aviran afirmou que "se não tivéssemos esperanças de encontrar os culpados, não pressionaríamos como estamos fazendo". O embaixador afirmou que o povo judeu "tem toda a esperança do mundo", e que é fundamental descobrir a conexão local. Suspeita-se que integrantes da polícia da província de Buenos Aires e ex-militares carapintadas possam ter dado apoio logístico aos terroristas. Avirán considera que se a conexão local não for identificada, "corre-se o risco de que possa ocorrer um terceiro atentado".
O embaixador não descartou que um terceiro ataque terrorista possa ocorrer não só na Argentina, mas" em outros países da região", entre eles, o Brasil.
No dia 17 de março de 1992, às 14:45 horas, uma violenta explosão demoliu a Embaixada de Israel, em pleno centro de Buenos Aires. O número de mortos sempre foi polêmico, mas até o momento identificaram-se 22 pessoas, e existem restos de outros possíveis seis corpos. Além dos mortos, a explosão feriu outra centena de pessoas, a maioria vizinhos da embaixada e dezenas de crianças de uma escola localizada na frente da Embaixada. As investigações ficaram paralisadas durante quase seis anos, e somente foram retomadas no fim do ano passado.
"Neste tipo de atentados os envolvidos não podem ser somente turistas", declarou uma porta-voz da embaixada. Especialistas consideram que existe um número mínimo de dois envolvidos locais na organização e realização do atentado, e que poderia ser de até um máximo de quinze pessoas. Além disso, suspeita-se que o primeiro atentado tenha uma conexão com o segundo atentado, realizado em 1994 contra a associação beneficente judaica AMIA. Nesse ataque morreram 89 pessoas, e outras trezentas foram feridas e mutiladas. Nos dois casos, os culpados pelos atentados ainda não foram encontrados.
Segundo o embaixador Aviran, este caso é um dos mais difíceis já enfrentados por Israel: "Nós sabemos bastante de terrorismo. Sabemos batante do Hizbollah e do Jihad Islâmico. Temos a fama de saber de tudo, mas nem sempre é assim. E neste caso, não sabemos".

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