Curitiba - A oficial de imigração da Embaixada de Portugal em Brasília, Isabel Burke, rebateu as acusações de Danielle e alegou que a fiscalização de imigrantes no País continua a mesma há anos. Isabel descartou uma ''febre antiprostituição'' no Aeroporto de Lisboa e discriminação pelo sexo, como Danielle diz ser vítima.
''90% dos que entram em Portugal são famílias ou casais. Mas isso não impede que cada um vá separado. E não há isso de 'febre antiprostituição' e sim fiscalização de trabalho de imigrantes ilegais'', explicou Isabel.
Danielle passou a noite em um galpão do aeroporto de Lisboa, onde afirmou ter dividido o local com criminosos e prostitutas. ''Não é um galpão, é uma pousadinha. Tem segurança, refeições, lugar para tomar banho e uma cabine telefônica. Se ela não entrou em contato com ninguém, nem com o Consulado do Brasil, foi porque não quis. São dois oficiais e mais um mediador para coletar a declaração. É um consenso, não há possibilidade de alguém alterar a declaração'', retrucou Isabel.
Isabel concordou que atualmente o fluxo de imigrantes brasileiros em Portugal é grande, principalmente de forma ilegal. Em média, segundo a oficial, oito ou nove pessoas voltam ao Brasil diariamente devido a problemas na entrada. ''Ninguém é barrado só por causa de uma reserva de hotel. Mas precisa explicar suas intenções, dizer quanto tempo vai ficar, ter passagem de ida e volta e uma quantia de dinheiro garantida. Não há perseguição, mas a lei tem que ser rigorosa.''
A agência de turismo utilizada por Danielle na Capital não confirma o atendimento à moça. ''Preciso procurar melhor meus registros. Mas a imigração está rigorosa, também por causa da prostituição, que acontece bastante na Europa'', argumentou a diretora Jannaína Catenace.
Danielle se sentiu prejudicada por informações essenciais para entrada em Portugal, que não teriam sido prestadas pela agência. ''Sempre orientamos sobre o seguro de saúde e as reservas de hotel. Mesmo quando a pessoa diz que vai ficar em casa de família ou conhecidos, dizemos que a pessoa tem que ter os dados pessoais, o número de telefone de onde vai ficar e também oferecemos reserva de hotel. Mas se a Polícia Federal pergunta sobre onde você vai ficar e você não consegue responder essas coisas, eles barram mesmo'', adiantou a diretora.
O caso poderia ser uma resposta a maus-tratos a portugueses durante a entrada dos mesmos no Brasil. Porém, o assessor de imprensa da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, Celso D'arcke, não se lembra de maus-tratos a turistas portugueses em solo tupiniquim. ''Pelo menos por aqui nunca fiquei sabendo''. De acordo com ele, o requisito mínimo a quem chega é o que se pede em todo o mundo, como documento legal válido, visto consular, demonstração das intenções no País e recursos para subsistência. (C.Y.)

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