Brasília, 24 (AE) - O Itamaraty informou nesta quarta-feira (24) que a Embaixada do Brasil em Assunção poderá ser acionada caso não haja solução a curto prazo para os mais de mil brasileiros que continuam retidos na fronteira com o Paraguai.
Até o fim da tarde de hoje, o consulado em Ciudad del Este ainda não havia transmitido ao Itaramaty notícias sobre novas liberações. O fechamento da fronteria aconteceu depois do assassinato do vice-presidente do Paraguai, Luis María Argaña, na terça-feira.
No dia da morte do vice-presidente paraguaio, a polícia daquele País chegou a liberar a fronteira entre 15h e 16h30. Atravessaram a pé a ponte que separa o Brasil do Paraguai cerca de 3.000 pessoas, com prioridade para crianças e mulheres. Carros e ônibus permaneceram em território paraguaio, segundo o Itamaraty. Entre 16h30 e hoje, surgiram algo em torno de mil pessoas querendo também atravessar.
Segundo o Itamaraty, o consulado está fazendo todos os esforços, inclusive para atender aos brasileiros, dentro das limitações.
O Itamaraty reconhece a delicadeza da situação. O consulado não tem recursos para dar alimentação ou assistência a tantas pessoas. Possui previsão de orçamento para atender a apenas casos específicos. A situação é tão complicada que fontes do Itamaraty tinham hoje a informação de que até o prefeito de Ciudad del Este estaria do lado brasileiro, sem conseguir atravessar a fronteira.
Normalmente, o Itamaraty adota, em casos semelhantes, mecanismos de etapas para negociações deste tipo.
Inicialmente, tenta-se esgotar o problema no âmbito local, entre o consulado e a polícia. Em caso de insucesso, o cônsul pode pedir apoio da embaixada. Também o ministro das Relações Exteriores pode entrar pessoalmente no assunto em casos extremos.
O Itamaraty também não sabia dizer que procedimentos a polícia paraguaia adotaria depois do jogo de futebol marcado para acontecer naquele País, entre Corinthians e Cerro Porteño.

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