fotos: Giovani Ferreira



Projeção nacionalA economia do ex-distrito de Castro foi catapultada pela implantação da Cooperativa Central de Laticínios do Paraná, juntamente com uma de suas filiadas, a cooperativa Batavo. Acima, fachada de casa típica holandesa e entrada da cidade Enquanto muitas prefeituras não conseguem nem mesmo cobrir a folha de pagamento dos seus funcionários, o recém criado município de Carambeí, a 20 km de Ponta Grossa, vem se destacando como uma das principais economias do Estado. Localidade que durante décadas apareceu no mapa apenas como um distrito do município de Castro, Carambeí foi emancipado e vive atualmente o seu primeiro ano de independência política, financeira e cultural.
Com uma economia voltada basicamente para o setor agroindustrial, o município é o retrato da colonização holandesa, que nos anos 50 começou a erguer um verdadeiro império econômico em Carambeí. Com a implantação da Cooperativa Central de Laticínos do Paraná, o distrito se projetou em nível nacional, despontando como um dos principais complexos agroindustriais do Estado.
Para o prefeito de Carambeí, Alci Pedroso (PTB), a Cooperativa Central de Laticínos, juntamente com uma de suas filiadas, a Cooperativa Batavo, constitui o ‘‘fôlego’’ do município. Além de gerarem mais de 2 mil empregos diretos, as duas cooperativas são a principal fonte de arrecadação em Carambeí. A agroindústria, ao lado do setor primário da agricultura e pecuária, responde por 85% do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) recolhido no município.
O prefeito reconhece que o município ‘‘deve muito aos imigrantes e descendentes holandeses, que fizeram de Carambeí um dos principais pólos tecnológicos da agricultura e pecuária nacional’’. Hoje os holandeses não são maioria entre a população de Carambeí, mas destacam-se pela sua cultura, costumes e, principalmente, pelo seu poder econômico.
Em função principalmente da agroindústria e da produção agropecuária do município, Carambeí consegue ter uma arrecadação mensal que varia entre R$ 600 e R$ 650 mil. Com essa arrecadação, em apenas seis meses Carambeí conseguiu estruturar a sua frota de máquinas e veículos, reformar e informatizar um prédio inteiro onde foi instalada a prefeitura, e ainda contratar dentistas e médicos especialistas para comandar e organizar a saúde no município.
Carambeí conseguiu fazer tudo isso, que pode ser considerado um milagre pelos outros 29 municípios que também foram emancipados no Paraná, se dando ao luxo de não contrair uma só dívida. Segundo o prefeito, o município não precisou fazer dívidas ou empréstimos para se estruturar. ‘‘Com nossa arrecadação temos o privilégio de poder trabalhar sem fazer dívidas’’, disse Alci Pedroso.
Outro motivo de satisfação da administração municipal de Carambeí é a folha de pagamento. A prefeitura possui 235 funcionários e atualmente compromete apenas 21% da arrecadação com o salário dos servidores. A intenção é não passar dos 25%. Muitos municípios, como Castro, por exemplo, são obrigados a gastar até 60% da arrecadação, ou mais, com a folha de pagamento.
O prefeito Alci Pedroso explica, que apesar de utilizar um percentual baixo da arrecadação com os salários, ‘‘os servidores do município são muito bem remunerados’’. ‘‘Aqui em Carambeí nós valorizamos muito o serviço braçal, aquele que exige mais esforço físico, como forma também de valorizar o servidor assalariado’’, disse o prefeito. Quem ganha menos na prefeitura recebe R$ 170,00 por mês, com direito a uma cesta básica de 45 Kg.
O segredo em Carambeí, revela o prefeito, ‘‘é que conseguimos aliar o trabalho ao potencial econômico do município’’. Hoje, com aproximdamente 18 mil habitantes, Carambeí é uma realidade, caminha com suas próprias pernas, não depende mais de Castro e desfruta de uma estabilidade financeira que difere da realidade dos outros municípios que foram emancipados no Paraná no ano passado.

mockup