Emagrecer rapidamente ou devagar?
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de setembro de 2010
Mariana Lenharo<BR> Agência Estado 
São Paulo - Agora, emagrecer rápido é bom. Essa é a conclusão de um estudo polêmico apresentado recentemente em um congresso internacional sobre obesidade realizado em Estocolmo, na Suécia, e divulgado pela BBC. Isso porque, segundo a endocrinologista Katrina Purcell, da Universidade de Melbourne (Austrália), autora da pesquisa, a perda de peso gradual poderia desmotivar os pacientes. Será? Por aqui, a dieta rápida ainda é alvo de críticas por parte dos médicos e nutricionistas. As consequências para o organismo, de acordo com eles, podem incluir até problemas de coluna e alterações ginecológicas.
Katrina tirou suas conclusões depois de avaliar dois grupos: em um deles, a meta era perder 1,5 kg por semana ao longo de 12 semanas; no outro os participantes tinham como objetivo perder 0,5 kg por semana com um regime que duraria 36 semanas. Os resultados obtidos mostram que 78% das pessoas que tentaram emagrecer logo conseguiram perder 15% do peso, contra 48% dos voluntários submetidos ao regime comedido.
''O paciente tem de consolidar novos hábitos, o que é incompatível com a rapidez'', argumenta a nutricionista Virgínia Nascimento, vice-presidente da Associação Brasileira de Nutricionistas (Asbran). Segundo ela, outro problema ignorado pelo estudo é que a pessoa que perde peso rapidamente também tende a recuperá-lo logo.
De acordo com o fisioterapeuta Felipe Nicodemos Semman, a dieta rápida provoca a perda de massa muscular, fator que estimula os problemas de coluna. ''Os músculos ficam mais fracos e a sobrecarga nos ossos se torna maior'', explica. Esse efeito foi sentido pelo empresário Newton de Oliveira, 56 anos. Com uma dieta em que eliminou açúcar, farinha branca e álcool, emagreceu 8 quilos em menos de cinco meses. ''Eu me senti muito bem, a dieta limpou meu organismo'', afirma. Tempos depois, porém, passou a sentir dores nas costas que foram diagnosticadas como hérnia de disco.
No caso das mulheres, o emagrecimento repentino pode levar à irregularidade ou à interrupção do ciclo menstrual, de acordo com o ginecologista Eduardo Slotnik, do Hospital Israelita Albert Einstein. A ausência da menstruação indica a baixa do hormônio estrógeno, que se torna mais ativo na presença da gordura.
Segundo o endocrinologista Amélio Fernando de Godoy Matos, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), a perda de massa magra ocorrida durante o emagrecimento rápido é desinteressante para a manutenção do próprio peso, já que a massa magra é a que mais gasta calorias. Matos observa, porém, que sob o aspecto psicológico, e não médico, o emagrecimento imediato pode ter um efeito importante na motivação. ''Se o regime é muito lento, as pessoas acabam desanimando mesmo''.
Recomendações:
- Qualquer dieta para perda de peso, seja rápida ou lenta, deve ser feita sob a supervisão de um médico e de um nutricionista.
- Optando pela dieta rápida, é importante manter uma rotina de exercícios para o fortalecimento dos músculos (isso inclui a musculação, não apenas modalidades aeróbicas). Não deixe de relatar qualquer mal-estar para o médico.
- No caso do regime de longo prazo, lembre-se de que os resultados não estão apenas na balança. Para não desanimar, observe o ganho na qualidade de vida, avalie se as roupas estão mais folgadas e se as dobrinhas de gordura começam a diminuir.


