Curitiba - A evolução das técnicas de cirurgia plástica e do sentido da auto-estima na humanidade deram uma nova dimensão para as intervenções reparadoras e estéticas. Tanto que, somente no Paraná, em 2006, foram realizadas 23 mil cirurgias: número que vem crescendo, pelo menos, 10% ao ano. Em todo o País, perto de 700 mil pessoas passaram por intervenções cirúrgicas. Mas, junto com a maior facilidade de acesso a essa especialidade, houve uma disseminação de clínicas de medicina estética com foco puramente comercial. Esse é um dos temas em discussão no 44º Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica.
Para a maior autoridade em cirurgia plástica do País, médico Ivo Pitanguy, o profissional deve ter um senso ético bastante apurado para orientar o paciente sobre a indicação da intervenção cirúrgica. ''A medicina não pode ser comercializada. Se a pessoa procurar uma cirurgia desnecessária, cabe ao médico aconselhar que aquela intervenção não é indicada'', afirmou ele, ao ser questionado sobre a banalização da cirurgia plástica no Brasil. ''Eu costumo dizer que nós somos psicólogos com um bisturi na mão'', acrescentou.
Pitanguy defende que com a evolução da técnica médica, as pessoas, nos dias de hoje, não precisam mais conviver com uma deformidade física. ''A cirurgia plástica que oferece ao paciente um equilíbrio maior do ponto de vista emocional é medicina e medicina séria'', enfatizou ele. Também não condena aqueles que buscam uma melhor aparência sob aspecto exclusivamente estético. ''A vaidade saudável é o que há de melhor no ser humano'', declarou, ponderando que o médico deve ter sensibilidade para recomendar ao paciente outro tipo de ajuda, quando esse sentimento beira ao narcisismo.
Ainda durante o congresso, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica anunciou a criação de um protocolo padronizado que deve ser adotado pelos cirurgiões em todas as fases do tratamento médico, com o objetivo de garantir procedimentos seguros.
No ''termo de consentimento'' serão informadas ao paciente, logo na primeira consulta, todas as fases do tratamento e os riscos envolvidos na cirurgia. ''O mais importante são os cuidados que o paciente deverá ter após a cirurgia'', destacou a presidente da regional paranaense da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

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