Em um ano, laboratório deve ter técido ósseo para implante
Outra novidade que deverá estar disponível para pacientes no Brasil, em até um ano, é a obtenção em laboratório de tecido ósseo de seres humanos para implante dentário. A pesquisa foi desenvolvida durante quatro anos pelo cirurgião dentista Alberto Zortéa, professor de periodontia da Universidade Norte do Paraná (Unopar).
O que era uma pesquisa dentro da tese de doutorado de Zortéa, defendida na Universidade Federal de Santa Catarina, já virou um protocolo inédito de cultura de células osteoblásticas (ósseas) humanas. Agora a próxima fase é de pesquisas relacionadas à segurança para que o procedimento possa ter a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usado em pacientes. ''A previsão é que isso aconteça em oito a 12 meses'', aponta.
Dentro da área de biotecnologia, o procedimento consiste em retirar tecido ósseo de qualquer parte do corpo, normalmente da mandíbula e do maxilar, e levar essas amostras para laboratório, onde será feito o isolamento das células osteoblásticas. Capazes de formar tecido ósseo, as células osteoblásticas serão implantadas onde é necessária a reconstrução óssea. ''Grande parte das situações em que há perda de dente, também há de osso'', explica Zortéa.
Inicialmente a técnica poderá ser usada para preparar a área da boca que poderá receber um implante dentário, já que este só pode ser fixado em locais onde há osso. Ou ainda, segundo o cirurgião dentista, em casos de anomalia crânio-facial óssea. Mas a expectativa é que, com avanços técnicos, o procedimento possa ser usado em outras partes do corpo.
Zórtea explica que a grande vantagem do procedimento é a ''otimização dos procedimentos cirúrgicos''. Hoje, em procedimentos de enxertos ósseos convencionais, quando o paciente precisa de reconstrução óssea, é necessário remover quantidade semelhante de osso que será enxertado de outra área do corpo. Isso demanda internação em hospital, anestesia, cirurgia e até cirurgia plástica, dependendo do local.
''Nessa proposta a quantidade de material recolhido é pequena e o procedimento muito menos invasivo. A coleta (de material) é tranquila e pode ser feita no consultório mesmo'', ressalta, explicando que a forma de fazer a coleta também é inédita e foi desenvolvida através de brocas especiais. (C.P.)





