Londrina – Balanço do 5º Batalhão da Polícia Militar divulgado ontem mostra que a criminalidade sofreu uma drástica redução nos últimos três anos em Londrina. O número de roubos e furtos caiu 37,7% entre 2010 e 2012. Enquanto o total de furtos foi reduzido em 43,1%, o de roubos apresentou uma diminuição de 30,9%. Ainda assim, quase 4 mil ocorrências do gênero aconteceram no ano passado.
A queda foi uniforme e contempla todas as regiões da cidade. No entanto, a segurança na área central foi a que mais avançou. Na região mais movimentada da cidade, ocorreram 408 roubos em 2012, queda de 42,5% em relação a 2010, e 426 furtos, queda de 58,6% em três anos.
"Questão salarial, helicóptero, efetivo maior. Mais motivação, mais reconhecimento e mais comprometimento. Isso tudo que esta por trás destes número", resumiu o comandante do batalhão, Samir Elias Geha.
Na outra unidade da PM em Londrina, a 4ª Companhia Independente, cuja área abrange a zona norte e parte da oeste, os destaques são o número de prisões, que saltou 79% no período, de 411 para 736 pessoas, e de crianças e adolescentes infratores apreendidos, que cresceu 156,9%. No total, foram notificados 334 adolescentes em 2012. Houve ainda um aumento de 224% no volume de crack apreendido.
Em 2013, os números da segurança pública da cidade seguem melhorando. Queda de 57% no número de homicídios, de 50% no número de veículos roubados e de 25% no número de roubos, além da queda de 2% no total de furtos.
Os índices positivos repercutiram entre os líderes da sociedade civil e do empresariado. "Acredito que uma série de fatores resultou nesta queda. Principalmente o emprego abundante na construção civil, que ocupa mão de obra da periferia", avaliou Artur Piancastelli, presidente da subseção Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "Há também uma melhora na qualidade do trabalho da PM e a instalação da Guarda Municipal."
Marcelo Cardoso, diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e coordenador do Núcleo de Segurança Pública da entidade, afirma que "as coisas vêm melhorando, mas ainda estão muito ruins". "Nossa polícia ficou muito tempo abandonada, mas começamos a avançar. Hoje temos um comando coeso e a melhoria na autoestima dos policiais é um fato notável", acrescentou Cardoso, que também ressaltou o desemprego baixo na cidade para explicar os índices cadentes de crimes.
Em dois bairros, contudo, os moradores enxergam as estatísticas como algo distante da realidade. Na Vila Yara (zona leste), o número de furtos se multiplicou por quatro no triênio. A FOLHA percorreu o comércio e constatou que assaltos e arrombamentos fazem parte da rotina do bairro. Uma borracharia arrombada, uma padaria assaltada várias vezes, uma farmácia com um proprietário desanimado por tanta impunidade e um supermercado que gasta cada vez mais com vigilância.
Na Vila Brasil (área central), o clima de insegurança também predomina. No triênio, o número de roubos saltou de oito para 15. O de furtos de sete para 18. "Aqui muita gente não registra boletim de ocorrência porque sabe que não vai acontecer nada. Ninguém conta com a polícia para resolver o problema", revela Agnaldo José Diniz, de 41 anos, dono de um açougue. "Já fui assaltado e sofri vários arrombamentos. Na última vez, poucos dias antes do Natal, levaram todo o meu estoque. Estou cansado de fazer reparos na porta. A última custou R$ 680", contou.

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