Em Toronto, jovens se confessam ar ar livre
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quarta-feira, 24 de julho de 2002
Martine Nouaille<br> France Presse 
Toronto - ''Você não tem uma caneta?'', pergunta Rebeca Dorff, 15 anos, com um pedaço de papel nas mãos para fazer uma lista de seus pecados. A estudante de Cincinatti, nos Estados Unidos, é uma das primeiras a comparecer ao imenso confessionário ao ar livre instalado no parque de exposições de Toronto, sede da Jornada Mundial da Juventude.
O cenário é paradisíaco: às margens do lago Ontario e sob a sombra protetora de verdes árvores, foram instalados 200 biombos de madeira, cada um com duas cadeiras, para dar um pouco de intimidade ao diálogo entre padres e penitentes. Em cada biombo, um papel indica o idioma do oficiante: inglês, francês, espanhol, português, italiano, alemão, holandês, etc.
Estima-se que mil padres passarão pelo local até sábado, para atender aos jovens que desejarem receber o ''sacramento da reconciliação'' antes de assistir à missa com o Papa.
A confissão, ritual que no passado era imprescindível para receber a comunhão, caiu em desuso entre boa parte dos fiéis católicos, motivo pelo qual o clero tenta recuperá-lo. Mas nas primeiras horas, a participação dos fiéis não foi numerosa. A maioria dos padres cochilava, meditava ou lia, enquanto, à distância, pequenos grupos de jovens aguardavam, assinalando ainda não estarem prontos.
Os primeiros a se confessar já tinham o hábito de fazê-lo, como Bernadette, 19 anos, que faz parte de um grupo que veio da Alemanha, ou os mais jovens Julie e Annick Tanguay, 15, do Canadá.
''Nossa sociedade permissiva está tão pronta para julgar sem piedade que parece não reconhecer o papel do perdão'', indicou o padre Louis Labrecque, 37, da diocese de Pembrooke, no Canadá. ''O sacramento da penitência nos lembra que não devemos julgar'', completou.


