São Paulo, 09 (AE) - Depois de faltar a três sessões da Comissão Processante que avalia sua cassação, o vereador José Izar (PFL) depôs hoje e disse não saber o motivo de estar ali. "As testemunhas que deveriam me acusar me inocentaram". Izar levantou suspeitas contra parlamentares da oposição e passou quase todo o tempo falando em voz alta e tom exaltado.
Disse não ter feito nada além do que é comum entre os vereadores e não poderia ser responsabilizado pelas atitudes de funcionários de regionais. "Fora da Câmara, apenas faço política, como todos fazemos". Admitiu ter indicado o ex-administrador regional da Lapa Milton Solla e o assessor Gilmar Almeida de Lima que, segundo testemunhas, usaria a regional em favor da candidatura a deputado estadual do irmão do vereador, Willians Izar, que não se elegeu.
Izar, porém, disse que não pode ajudar Willians em sua campanha por trabalhar demais na Câmara e não ter autorizado ninguém a pedir colaboração em seu nome. Durante a CPI, o empresário Rafael Bacha disse ter sido coagido por fiscais a ajudar na campanha de Willians. "Quem ajudou, ajudou porque quis". O vereador respondeu algumas perguntas com ironia. "Ele é o Mister M?", debochou ao comentar a acusação feita pelo ambulante Nilton Santos de que havia um pacote fechado com R$ 25 mil para o parlamentar.
Ele apresentou um levantamento das fichas de visita do ambulante à Câmara, neste ano. Nele, aparecem mais de 80 visitas de Santos a gabinetes de vereadores da oposição. A veemência de Izar ao listar os nomes de Aldaíza Sposati (PT), José Eduardo Martins Cardozo (PT) e Dalton Silvano (PSDB), visitados por Santos, contagiou o relator da comissão, Natalício Bezerra (PTB)
que disse acreditar que o camelô teria dado um depoimento "fabricado". "Formado na escola do PC do B e do PT".
Cardozo e os demais vereadores citados disseram ter recebido o camelô para ouvir suas denúncias e em reuniões de comissões, que avaliam projetos para regulamentação da atividade de ambulante. A Comissão Processante encerrou a fase de depoimentos. Izar tem cinco dias para apresentar as alegações finais. Seu presidente, Miguel Colasuonno (PPB), acredita que o relatório final esteja pronto até o dia 20.

mockup