Em tempos de desemprego, 1ª vaga é ainda mais difícil
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sábado, 02 de junho de 2001
Cláudia Lopes De Londrina 
Arranjar o primeiro emprego é uma tarefa desgastante. Os empresários que exigem experiência dos candidatos são justamente os que não dão chances para o aprendizado, num dilema parecido com o quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?
A londrinense Odania Paiva, de 16 anos, é uma das jovens que tenta conseguir uma vaga no mercado de trabalho, sem nenhuma experiência anterior e registro profissional. Ela cursa o segundo ano do ensinho médio e quer trabalhar como secretária, auxiliar de escritório ou recepcionista para ganhar pelo menos um salário mínimo. Meu pai está sem trabalho e gostaria de ajudar nas despesas de casa.
Odania também tentou fazer cursos de estética facial e comissária de bordo mas foi barrada por causa da idade. Os dois cursos exigem idade mínima de 18 anos. Para me preparar melhor fiz seis meses de inglês mas tive que parar por falta de dinheiro.
Outro que tenta um emprego desde novembro passado é o jovem Diego de Oliveira Ferreira, de 16 anos. Sem nunca ter trabalhado, ele gostaria de conseguir uma vaga de auxiliar de escritório ou office boy e ganhar um ou dois salários mínimos por mês. Quero ajudar minha família e ficar com algum dinheiro, disse.
Ferreira pretende fazer curso superior de engenharia ou arquitetura. Já fez seis cursos de informática do windons à manutenção de computadores e dois voltados para área de auxiliar de escritório: serviço administrativo e escritório.
A psicológa do trabalho da Labor, Ruth Hayashi, recomenda aos candidatos de primeira viagem que nunca parem de estudar e aperfeiçoem seus conhecimentos através de cursos de qualificação. Hoje até operário precisa ter noções de informática, lembra.
Segundo Ruth, os jovens devem encaminhar seus currículos às agências de emprego, responsáveis pela seleção de pessoal de várias empresas. Quando quiserem enviar diretamente para uma empresa devem preferir mandar via internet, para demonstrar que tem esse tipo de conhecimento. O currículo deve ser sucinto e claro. Por falta de experiência profissional os jovens devem listar todas as suas qualificações.
Antes de terminar a faculdade, o estudante também deve estagiar ou trabalhar mesmo que o emprego não seja relacionado com sua área. Ele vai aprender a respeitar normas, a acatar ordens e a se relacionar com as pessoas, disse Ruth.
Os estudantes também precisam se destacar nas aulas, na opinião da psicóloga. Muitas empresas testam os conhecimentos dos candidatos. Quem for esforçado vai se dar melhor, disse Ruth. Ela também lembra a importância de se ter boa apresentação na entrevista. Não é preciso usar traje social, mas bermudas e regatas estão proibidas. O candidato precisa estar bem asseado e deve se policiar para não falar gírias nem comparecer na entrevista cheirando a cigarro ou a álcool.
O gerente da Agência do Trabalhador de Londrina, Júlio Cesar dos Santos Zanoni, também recomenda que os jovens decidam o mais rápido possível em que área querem atuar e façam cursos voltados para a profissão desejada. A qualificação é a única forma de tentar driblar a falta de experiência, orienta.


