Em SP, maternidades privadas vetam visitas a mães e bebês em meio à pandemia de coronavírus


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Decoração nos quartos, lembrancinhas, filmagem do parto e visitas são alguns elementos que, para muitos, tornam a chegada de bebês ao mundo uma espécie de evento social.

Durante a pandemia do coronavírus, porém, o que era festa virou isolamento. Pelo menos na rede de hospitais privados de São Paulo, nos quais as maternidades têm tomado medidas para evitar as aglomeração de pessoas e, assim, diminuir riscos entre os recém-nascidos e suas mães.



Nos hospitais que atuam exclusivamente como maternidades, como Santa Joana, do grupo homônimo, que inclui também Pro Matre e Santa Maria, o acesso é limitado apenas ao acompanhante da grávida, com direito a uma troca ao longo do dia.

A rede informa que, além da limitação de visitas, realiza uma triagem quando as pessoas chegam ao hospital, questionando acerca de sintomas como febre, dificuldade para respirar, dor de garganta ou tosse.

"Maternidades recebem muito mais visitas que um hospital geral", frisa Marco Antônio Zaccarelli, diretor comercial do grupo Santa Joana, que calcula que, desde que começaram a restringir visitas, antes de vetá-las, os hospitais da rede tenham conseguido reduzir em 80% a circulação de pessoas.

Medidas mais restritivas são seguidas pela rede D'Or São Luiz e pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

Nos hospitais da rede D'Or e na maternidade do Einstein, na unidade Morumbi, visitas estão vetadas, e só é permitido um acompanhante por gestante, que deve preferivelmente ser o mesmo, do princípio ao fim da estada.

Nos hospitais D'Or São Luiz, as maternidades têm entrada separada, de modo que as gestantes evitam o contato com pacientes que procuram atendimento por suspeita de Covid-19.

Segundo o obstetra e ginecologista Waldemar Carvalho, que opera nos hospitais da rede, as maternidades estão "bastante rigorosas". "Tive paciente ligando tentando mudar o parto de local por achar que a maternidade escolhida estava com medidas muito restritivas. Todos têm um pontinho de egoísmo. Mas, nós, médicos, estamos aplaudindo [essas medidas] de pé".

Carvalho diz que sua rotina também mudou e, a partir desta semana, só atende casos de urgências e gestantes que estão na reta final da gravidez --as demais consultas, ele têm feito por videoconferência.

Além de consultas médicas, a internet também têm sido o método encontrado para que as pessoas possam conhecer o mais novo integrante da família. No hospital São Luiz, por exemplo, o parto pode ser transmitido ao vivo.

Na maternidade do Albert Einstein, as gestantes são separadas dos pacientes gerais do hospital, e aquelas contaminadas com Covid-19 são separadas das demais.

Segundo Linus Pauling Fascina, chefe da maternidade do hospital israelita, o local é equipado por salas de parto com pressão negativa, cujo sistema de ventilação renova o ar e mantém a pressão atmosférica mais baixa do que no resto do hospital. O objetivo é impedir que o ar contaminado saia e o vírus se espalhe -esses locais são usados caso a mãe tenha recebido diagnóstico de Covid-19.

Médicos ouvidos pela reportagem reiteraram que, segundo estudos até o momento, não existe o perigo da passagem do vírus pela placenta. Se a grávida suspeitar que possa ter contraído o novo vírus, deve haver um fluxo diferente para ela no hospital -que pode incluir, por exemplo, seu isolamento do recém-nascido até a obtenção do resultado. Nessa hipótese, a mãe retira o leite com bomba, para garantir o aleitamento.

Também não há, segundo os profissionais, uma indicação a respeito de qual seria a melhor via de parto diante da pandemia global de coronavírus.

Cesarianas podem ser indicadas no caso, por exemplo, de mães com quadro gripal agressivo, com necessidade de entubação -a medida se aplicou no caso de gestantes portadoras do H1N1 em 2009.

É importante que, diante de mães com sintomas respiratórios, a equipe médica esteja devidamente preparada para um possível caso de Covid-19.

Fora desses casos, não é recomendável, contudo, que se agendem cesarianas antes das 39 semanas. Continua valendo essa norma geral, a não ser em casos nos quais seja necessário proteger a mãe ou o feto -por exemplo, se houver diminuição de líquido amniótico grave ou se o feto demonstrar sinais de sofrimento.

No caso das grávidas que apresentem um quadro estável, as maternidades do Albert Einstein têm mantido o alojamento conjunto, ou seja, o bebê fica o tempo todo com sua mãe.

A medida, geralmente adotada por favorecer o vínculo entre mãe e bebê e a lactação, é recomendada pelo Ministério da Saúde porque auxilia a diminuir o risco de infecção relacionada à equipe que presta cuidados ao recém-nascido, o que se torna mais importante neste momento.

A recomendação geral é manter a amamentação, mesmo que a mãe apresente quadro gripal. Até o momento, considera-se que os benefícios de amamentar superam os riscos de contaminação.

Claro, nesses casos, os cuidados devem ser redobrados. É recomendado que a mãe faça uso de máscaras, que devem ser trocadas a cada duas ou três horas, além da limpeza das mãos com ainda mais frequência.

De modo geral, tem-se tentado reduzir a estada das mães no hospital. Nem sempre, porém, é possível, já que a triagem neonatal, conhecida como teste do pezinho, é feita 48 horas após o nascimento -o exame é capaz de diagnosticar cerca de 60 doenças raras.

Depois de tudo isso, a recomendação é que, ao chegar em casa, a família continue em isolamento.

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