Em sete meses, oito mortos por policiais em Londrina
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terça-feira, 17 de julho de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Oito pessoas foram mortas em Londrina por policiais militares - em serviço ou à paisana - de janeiro até ontem. Na última ocorrência, na manhã do dia 12 de julho, três homens envolvidos em um sequestro foram mortos durante perseguição. Além destes casos, outros registrados há anos são lembrados.
Ontem, o perito-chefe do Instituto de Criminalística (IC), Daniel Filipetto, informou que deram positivos os exames residuográficos (que detecta traços de pólvora) realizados nas mãos dos assaltantes Douglas Argemino Xavier, 29 anos, Julaino de Paiva Brito, 20, e Moisés Lima Lousada -, mortos por PMs. O resultado indica que os três também teriam efetuados disparos de arma de fogo enquanto tentavam fugir levando um empresário e a camionete dele. A caçada acabou em um milharal, com os três rapazes mortos. A perícia contou pelo menos 30 perfurações nos corpos das vítimas.
Na ocasião, familiares de um dos mortos acusaram a Polícia ter ''executado'' os rapazes. A mãe de um deles disse que testemunhas teriam ouvido os três implorando para não serem mortos. Os policiais estão sendo investigados mas continuam em suas funções.
Policiais militares estiveram envolvidos em outras cinco ocorrências com morte neste ano. Em março, foram três casos: Douglas Mendes, 17, morto por um policial de folga no centro da cidade; o mototaxista Reinaldo Brunetti, 31, baleado numa troca de tiros de tiros entre policiais e assaltantes no centro - a bala que o atingiu teria saído da arma de um policial, segundo a perícia -; outro adolescente, Rafael Berthe Lourenço, morreu numa troca de tiros com policiais na Zona Sul. Em abril, Ricardo dos Santos Bravo, 15 anos, foi morto ao tentar roubar as motos de dois policiais que estavam em uma lanchonete no centro. Em junho, policiais militares mataram um rapaz não identificado durante uma perseguição na PR-445.
Além destes casos, pelo menos outros dois casos mais antigos são lembrados pelos londrinenses. No caso da morte do jogador de futebol Raphael Bezerra da Silva, 20, o desfecho parece distante. Baleado em novembro de 2004 por PMs, depois de supostamente ter sido confundido com um assaltante, ele morreu 41 dias depois no hospital. O pai do jogador, José Carlos da Silva, pretende ir nos próximos dias a Curitiba cobrar uma posição do Governo do Estado. ''Faz dois anos, seis meses e 25 dias que meu filho foi morto e até agora nada aconteceu'', criticou. O processo corre na Justiça Comum e está na fase de oitiva de testemunhas de defesa.
Desfecho diferente teve o caso do carregador da Ceasa, Jamys Smith da Silva, 20 anos, morto em maio de 2005 após ter se recusado a baixar o volume do aparelho de som numa festa em sua casa, na Zona Leste. Os quatro policiais acusados do homicídio foram expulsos da corporação há pouco mais de um mês. Agora, devem enfrentar o júri popular.


