Em quatro meses prejuízo ultrapassa US$ 20 milhões
São paulo, 19 (AE) - Nos 615 assaltos a cargas ocorridos nos primeiros quatro meses do ano no Estado, os ladrões roubaram US$ 20,1 milhões. Houve aumento de 62,2% dos roubos em comparação ao mesmo período de 1998, com 379 casos. As quadrilhas têm agido mais na capital, que registrou 35,77% do total dos crimes no Estado. As rodovias ficaram em segundo lugar: 31,38% dos assaltos.
Na capital, a zona leste é a campeã dos roubos. Entre as rodovias, a Anhanguera é, segundo motoristas, a mais perigosa, com 29 assaltos de janeiro a abril. Na Dutra foram 22 e na Castelo Branco, 20. O dia preferido pelos ladrões para atacar continua sendo a quarta-feira. De janeiro a abril, 143 assaltos ocorreram na quarta-feira (23,25% do total dos roubos). Os horários de maior risco são das 8 às 10 horas e das 10 ao meio-dia. Nesses períodos, houve 231 do total de roubos de cargas.
O assessor de Segurança do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de São Paulo e Região (Setecesp), coronel da reserva do Exército Paulo Roberto de Souza, explica que São Paulo e Rio têm o maior índice de assaltos. Em Mato Grosso, norte do Paraná e interior de São Paulo, nas áreas de produção agrícola, os roubos a caminhões têm aumentado. "São levados produtos químicos para lavouras", diz Souza.
Segundo ele, o sindicato reivindica mais policiamento no combate a esse crime. Souza afirma que as transportadoras têm feito sua parte, com treinamento, reforço dos equipamentos de segurança e uso cada vez maior de escoltas. São 12 mil transportadoras no País, 5,8 mil só no Estado. Há 2 mil empresas de outros Estados com filiais em São Paulo. Exagero - O assessor da Setcesp diz que passam por São Paulo 6% do movimento de cargas do País. Ele contesta a afirmação da polícia sobre o envolvimento das transportadoras no desvio de cargas e de um grande número de motoristas. Para Souza, muitas vezes os ladrões ameaçam os motoristas dizendo que vão sequestrar sua família e os obrigam a entregar a carga. "A coação é grande e 50% do envolvimento dos motoristas, como disse a polícia, é exagero".
O motorista é orientado a não reagir e cumprir todas as regras de segurança. As empresas querem que a polícia centralize as apurações nos receptadores. Há os que pedem o roubo de determinados produtos, o chamado roubo direcionado. "Dificilmente é preso quem fica com a carga e a repassa". Prisão - Três homens foram presos hoje, na Freguesia do à, na zona norte, acusados de roubar um caminhão que transportava cerveja. A mercadoria estava avaliada em R$ 18 mil. Por 30 minutos, os ladrões fizeram o caminhoneiro Antônio Leite Filho refém. Ninguém saiu ferido. (Renato Lombardi)





