Em quatro anos, 59 presos foram mortos nas cadeias
São Paulo, 08 (AE) - De 1994 a 1997, 59 presos foram mortos no Estado de São Paulo e 374 ficaram feridos. Os números constam de uma pesquisa feita pelo Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente (Ilanud). No período, foram 225 incidentes prisionais, caracterizando uma média de 4,6 por mês.
A maioria das mortes ocorreu entre os próprios presos (88%). Os mortos estavam nas "celas de seguro" e foram tomados como reféns pelos colegas. O Ilanud concluiu que 23% dos incidentes nas prisões foram registrados em distritos policiais, 40% em cadeias públicas e 35% em penitenciárias e casas de detenção.
O trabalho aponta São Paulo como o Estado que concentra o maior número de presos do País. Além da capital, foram registrados no ano passado incidentes em Campinas, Hortolândia, Praia Grande, Ribeirão Preto, Santo André, São Vicente, Sorocaba e Tremembé. As nove cidades foram responsáveis por 60% das rebeliões em todo o Estado.
O trabalho do Ilanud analisa a deficiência de vagas no sistema carcerário de São Paulo e indica que, entre 1994 e 1998, o maior número de rebeliões ocorreu nas terças-feiras: 20,6%.
Os presos feitos reféns pelos companheiros de presídio, mortos ou feridos eram estupradores, assassinos de crianças, ex- policiais ou "traidores" em geral. A pesquisa considerou incidentes prisionais as fugas e tentativas, movimentos reivindicatórios e rebeliões.





