Em Porto Alegre, milhares participam do Grito dos Excluídos
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segunda-feira, 06 de setembro de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 07 (AE) - Milhares de pessoas participaram hoje do Grito dos Excluídos, em Porto Alegre. Na avaliação dos organizadores, foram três mil. Depois de um culto ecumênico no largo Glênio Peres, região central da capital gaúcha, eles se deslocaram até o local do desfile oficial das tropas militares, a avenida Perimetral, no bairro Cidade Baixa. Quando passou o último pelotãoo grupo iniciou sua marcha. Pela primeira vez na história da manifestação, um governador aguardou a passagem dos manifestantes no palanque oficial. Olívio Dutra foi saudado aos gritos de "Olívio, Olívio".
"Desta vez não somos recebidos a patas de cavalos mas pelo governador", registrou o locutor do carro de som, que acompanhava a passeata, uma referência às dificuldades enfrentadas para desfilar em anos anteriores. "A pátria não pode ser madrasta com muitos e generosa com poucos", disse Olívio Dutra, que considera o 7 de Setembro uma data para a reflexão dos brasileiros.
Em tom patriótico, misturado com críticas ao governo de Fernando Henrique Cardoso, a marcha foi aberta por uma ala vestindo a bandeira brasileira, como se fosse um manto. Em seguida, vinha um boneco de FHC empunhando a bandeira dos Estados Unidos. Em torno, faixas pediam reforma agrária e mais investimentos em saúde e educação. Pequenos agricultores levavam produtos agrícolas. Crucificado, um boneco de pano era identificado como "O Pobre".
Documento - Cartazes reclamavam da exclusão e do empobrecimento do país e adesivos reproduziam as palavras de ordem Fora FHC, Fora FMI. Um comunicado assinado por instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), União Nacional dos Estudantes (UNE), Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), CUT, Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), entre outras, foi distribuído à população.
Com o título Mudanças Já, o documento acusa os "500 anos de colonialismo" e a submissão do Palácio do Planalto ao Fundo Monetário Internacional como responsáveis pela crise atual. Reivindica 11 medidas, que incluem a criação de uma política econômica para combater o desemprego e promover a distribuição da renda, e a revisão do acordo com o FMI.
Apesar das queixas, o clima era alegre, animado pela música" Brasil, um Filho teu não Foge à Luta". O grupo cantava "Este é o meu país/ Esta é a minha bandeira/É por amor ao Brasil/ Que nós estamos em fileira". Os manifestantes entraram na avenida pouco antes do meio-dia, percorreram a Perimetral e se dirigiram ao parque da Redenção, onde aconteceria um ato show.
Eclética, a caminhada incluiu professores, estudantes, deficientes físicos, representantes de partidos de oposição do governo FHC, colonos sem-terra, punks, pequenos agricultores, sindicalistas, desempregados, moradores de rua e pastorais da Igreja Católica. No Rio Grande do Sul, várias entidades da sociedade civil, entre sindicatos, partidos e associações apoiaram o ato, que teve a coordenação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


