Em Paranavaí, 50% dos projetos são para programa 'Casa Fácil'
Silvana Porto
De Paranavaí
Especial para a Folha
O crescimento imobiliário na periferia de Paranavaí nos últimos 4 anos é uma evidência de que as famílias de baixa renda decidiram parar de pagar aluguel, investindo as economias na construção da casa própria. Cerca de 50% dos projetos aprovados pelo setor de Cadastro Técnico da Secretaria Municipal do Planejamento são enquadrados no programa Casa Fácil, mantido pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) e prefeitura. As famílias com renda até três salários mínimos ganham a planta sem custos.
Somente neste mês foram aprovados 24 projetos de planta padrão para casas de até 70 metros quadrados, além de 27 projetos para obras com metragem maior. O chefe do setor de Cadastro Técnico, Jorge Rodrigues Barbosa, atribui o incremento imobiliário da periferia aos loteamentos surgidos em Paranavaí de 1995 até agora. Esses loteamentos são, na maioria, populares e oferecem planos de financiamento facilitado para pessoas de baixa renda, diz Barbosa. Ele acha que os anos 90 foram um marco para o setor em Paranavaí.
Nos anos 70 e 80, lembra, o crescimento ficou bem abaixo do registrado nos últimos nove anos. Barbosa salienta que 80% das casas enquadradas como projetos arquitetônicos padrão são moradias entre 69 e 70 metros quadrados e 20% entre 40 e 69 metros.
Na análise so Inspetor Chefe do Crea em Paranavaí, Fábio Freire, o incremento do setor imobiliário entre a população de baixa renda se deve à crença na estabilidade econômica prometida. Antes do Plano Real se construía mais casas de médio e alto padrão. Com a renda do trabalhador melhor surgiram os loteamentos com facilidade de pagamento, o que vem motivando o mercado, diz.
Ele acha no entanto que existe um recuo de investimentos na área. A tendência é o mercado retrair, em função da perda do poder aquisitivo frente aos aumentos de preços de produtos e serviços, acha. Freire afirma que do meio do ano em diante já se verificou uma estabilidade nos investimentos imobiliários.
Embora admita o crescimento da periferia, o inspetor do Crea não considera os números da prefeitura como parâmetro apropriado para se avaliar o desenvolvimento do setor. Para ele, boa parte dos projetos que circulam pela prefeitura são relativos a imóveis antigos, frutos da fiscalização mais efetiva do município.
Para Freire, existe em Paranavaí um grande número de obras irregulares, sobretudo na área central da cidade, construídas quando não havia fiscalização. Com o maior rigor da prefeitura os proprietários começaram a regularizar a situação, explica.





