Em nome do filho
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Bruno Maffi<br> Reportagem Local 
Na manhã de ontem, Dom Albano Cavallin, bispo emérito de Londrina, visitou a mãe de Silvio Andrei, na residência do irmão do padre, na região central de Londrina. A reportagem da Folha de Londrina acompanhou a visita. O abraço dado no encontro da mãe com o bispo, ambos emocionados, marcou o início da conversa.
Dona Nélia Andrei é uma senhora de 70 anos. Conta que até os sete meses da gestão de seu filho padre, o médico diagnosticava um cisto e não um bebê. Desde essa época ela o consagrava a Deus. Católica fervorosa, sempre participou dos shows, retiros, e programas semanais de tv e rádio, que seu filho apresentava em âmbito nacional.
Diante do problema, ela se diz realista. ''Foi uma fraqueza dele. Ele admite. Eu admito. Mas espero que as pessoas julguem como um acidente e não um costume''. Na sexta-feira que antecedeu a prisão de Andrei, dona Nélia diz que teve um pressentimento e pediu ao filho que tomasse cuidado até com as brincadeiras que fazia, por ser muito espontâneo.
A mãe preferiu não acompanhar o noticiário. No primeiro contato que teve com Andrei, já preso, procurou passar consolo e disse que nada mudava quanto a admiração e amor que sente por ele. ''O Silvio estava envergonhado e chorava muito. Expliquei que o que importa é o que ele realmente é e não o julgamento ruim das pessoas. Eu disse para ele: ''Filho, não estou aí, mas Nossa Senhora está. Ela é sua advogada''.
Nélia afirma que o padre não é acostumado a beber e não tem tendência para o alcoolismo. Explica que a dor no momento é grande e não quer que ''as manchas da fragilidade humana atinjam o bem que ele fez a tantas pessoas''.
No último telefonema, lembrou Andrei da morte do irmão, e como ele a ajudou superar esse momento de dor. ''Eu o valorizo pelo bem que faz. Esse momento não traduz tudo o que ele é''.
O pudor que o padre sempre demonstrou também foi citado por sua mãe. Ela considera que as pessoas próximas ao padre sabem que ele nunca faltou com o respeito, que é comedido e possui um grande auto-controle.
Aos que acompanharam Silvio Andrei ao longo se seu ministério, Nélia pede a compreensão e oração. ''Espero que continuem dando o amor que ele merece, que orem por ele. Que as mães que ele ajudou vejam nele um filho, que caiu e precisa ser amparado''.
Ao se despedir de Dom Albano e de nossa equipe, dona Anélia disse, entre lágrimas, que conhece o passado, sofre o presente e acredita no futuro de seu filho.


