Em Minas, Dupeyrat aponta dificuldades para o pagamento
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Por Renato Andrade 
Belo Horizonte, 02 (AE) - Enquanto em Brasília o secretário da Casa Civil, Henrique Hargreaves, garantia o pagamento no próximo dia 10 dos eurobonus lançados pelo Estado de Minas em 1994, o secretário de Fazenda, Alexandre Dupeyrat, apontava em Belo Horizonte dificuldades para o cumprimento da meta. O problema principal, segundo ele, foi a desvalorização do Real, que acresceu à dívida cerca de R$ 100 milhões, de acordo com cálculos do próprio secretário. Segundo Dupeyrat o governo mineiro, quando do lançamento destes papéis, não teve o "cuidado central" de fazer um hedge cambial. Esta operação protegeria o governo mineiro no caso de uma desvalorização da moeda.
As contradições sobre o pagamento ou não destes papéis começou logo após a decretação da moratória pelo governador Itamar Franco, no dia 6 de janeiro. Hargreaves dizia na época desconhecer a existência de um fundo com recursos para este pagamento. O Tesouro Nacional logo em seguida convocou uma coletiva explicando a existência e o volume de recursos do fundo. Poucos dias depois o vice-governador Newton Cardoso garantiu que o Estado cumpriria o pagamento na data de vencimento, sem explicar de onde seriam tirados o restante do dinheiro para efetuar o pagamento da primeira parcela, num total de US$ 100 milhões.
No dia 14 de janeiro, quando o governador esteve presente à uma solenidade na sede da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), o desencontro de informações aconteceu no mesmo instante. Enquanto Newton Cardoso afirmava para um grupo de jornalistas que o pagamento seria realizado, o secretário de Fazenda, distante alguns metros do vice-governador, dizia que as mudanças na política monetária do governo deveriam tornar inviável o pagamento do débito. "Não pode haver garantia (de pagamento), porque, além desse quadro caótico, o que se tem é a perspectiva de o governo federal não querer compreender a situação crítica em que se encontram as finanças do Estado, pondo em risco a prestação dos serviços", afirmou Dupeyrat.
Ao ser informado sobre a posição do vice, no mesmo instante, o secretário de Fazenda tentou esclarecer o assunto. "Ele (Newton Cardoso) disse isso antes das mudanças na economia", declarou, desconsiderando o fato de que Newton se manifestara no mesmo local.
Na semana passada foi a vez de Newton Cardoso rever sua opinião. Numa entrevista o vice descartou por completo o pagamento da parcela de eurobonus que vence na próxima terça-feira. "Ninguém está conseguindo enxergar nada, tudo está inviabilizado, (o pagamento) de qualquer dívida", disse. Atualmente existem cerca de R$ 94,6 milhões depositados junto ao Tesouro Nacional para o pagamento desta dívida. Ao todo os eurobonus deverão ser pagos em duas parcelas de cerca de US$ 100 milhões cada. A primeira vencerá no próximo dia 10 e a segunda no dia 10 de fevereiro de 2000.
Dupeyrat não descartou ontem (01) à tarde, durante a solenidade de posse dos deputados estaduais de Minas, a possibilidade de permitir que o Tesouro Nacional saque o dinheiro para fazer, em parte, o pagamento da dívida. De qualquer maneira tudo dependerá de um entendimento entre a Fazenda de Minas e o Tesouro Nacional, já que o Tesouro não pode fazer o saque dos recursos sem o aval do governo mineiro. "Vamos estudar a proposta que possa ser apresentada", disse o secretário. O Tesouro Nacional ainda não procurou a secretaria mineira para discutir a questão.


