São Paulo, 27 (AE) - As Polícias Civil e Militar mataram este ano 68 pessoas no Estado, superando em 15 o número registrado em todo mês de janeiro do ano passado. Desses, 62 foram mortos pela PM e 6 pela Polícia Civil. Os dados foram divulgados hoje pela Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo. Para o ouvidor, o sociólogo Benedito Mariano, estes números indicam o despreparo das polícias na abordagem de suspeitos. "Quase toda abordagem é feita com arma em punho".
Segundo Mariano, o fato de a maioria das pessoas mortas não ter antecedentes é um indicativo de que principalmente a PM não tem preparo para fazer o policiamento preventivo. "Historicamente a Polícia Militar foi treinada para a repressão e não para a prevenção", explica. "Ela é uma invenção do regime militar dos anos 70".
Conforme o relatório, 664 pessoas foram mortas por policiais em 1999, superando em cerca de 25% o índice de 1998. Desse total, a PM foi responsável por 577 mortes e a Polícia Civil, por 87. O número de policiais mortos no ano passado foi menor que em 98: 213, sendo 48 civis e 165 militares, ante 226 - 22 civis e 204 militares. Mariano destaca o crescimento no número de pessoas mortas pela Polícia Civil: 87 no ano passado, ante 59 no anterior.
Antecedentes - Do total de vítimas da polícia, 57,5% não tinham antecedentes criminais; 50,87% tinham de 18 a 25 anos e 97,5% eram homens. Em 1999, 10.395 pessoas foram atendidas pela Ouvidoria, que encaminhou 4.834 denúncias. A Polícia Civil recebeu 50,7% das reclamações e a PM, 48,99%. As principais queixas foram conduta inadequada, abuso de autoridade e homicídio cometido por policial.
Segundo o ouvidor, esses números indicam a necessidade de reformulação no treinamento e nos códigos de conduta das atividades policiais. Mariano teme uma escalada maior da violência policial no Estado. "O ano passado foi o pior do atual governo e os números deste mês já nos deixam apreensivos por superar os do ano passado". Conflito - O aumento dos casos de resistência armada à prisão e o maior acesso a armas modernas são apontados pelo delegado-geral Marco Antônio Desgualdo como causas do aumento de pessoas mortas por agentes civis. "Hoje já não há o respeito que havia à voz de prisão", disse. "Com o acesso a armas modernas e o descontrole causado pelas drogas, tem aumentado a resistência à prisão".
A PM nega que tenha havido aumento da violência empregada por seu efetivo. Segundo o capitão Roberto Alves, relações-públicas da corporação, os números da corregedoria refletem o aumento da ação da PM. "O que ocorre é que a Polícia Militar está trabalhando mais e por isto está mais exposta a situações de conflito".

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