Londrina - Gabriela (nome fictício) prestou ontem nova queixa contra o marido na Delegacia da Mulher de Londrina. Ela foi ameaçada de morte e teve seus dois filhos levados de casa. ''Ele me enforcou, me bateu e mesmo assim dei chances. Sempre pensei que ele fosse mudar, mas não aconteceu. Ontem (domingo), ele me xingou e me ameaçou de morte. Saí para trabalhar e quando voltei meus filhos não estavam mais em casa. Estou agoniada'', disse, aflita. A mulher de 26 anos pediu medida protetiva à Justiça.
O caso dela foi classificado como grave e encaminhado imediatamente para o Fórum. O sistema integrado foi adotado em março após parceria entre a Delegacia da Mulher e a 6 Vara Criminal (Vara Maria da Penha). Casos de violência física contra mulher são atendidos em 24 horas em Londrina. Outros pedidos de proteção são apreciados em até 15 dias.
''Nós trouxemos para a Justiça esses atendimentos. As queixas são formalizadas na delegacia e repassadas diretamente para cá. Disponibilizamos equipe multidisciplinar, com psicóloga e assistente social, para atendimento imediato, que analisa o caso e avalia a gravidade. Isso é um procedimento local para que as vítimas não se sintam desencorajadas pela morosidade (da Justiça). Assim elas se sentem amparadas'', afirmou a juíza Zilda Romero.
A medida protetiva garante o afastamento do agressor do lar, impede a aproximação física da vítima e restringe contatos telefônicos (o maior problema ainda é a falta de fiscalização). A 6 Vara deferiu 365 medidas protetivas neste ano, apenas 21 pedidos foram negados. Em 2011 foram 790 deferimentos, ante 66 indeferimentos. A 6 Vara tem mais de 2,3 mil inquéritos abertos sobre violência contra a mulher e 550 ações penais em andamento.
A rede de enfrentamento à violência contra mulheres ainda conta com casas abrigo, para onde são levadas as mulheres que não têm para onde ir, e o Centro de Atendimento a Mulher (CAM).

mockup