Em Londrina, doação supera média nacional
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Rubens Chueire Jr. <br>Reportagem Local 
Curitiba - Nos últimos dois meses, a Central Regional Norte de Transplantes (CRNT), que abrange os municípios das regionais de Saúde de Londrina, Apucarana, Ivaiporã, Cornélio Procópio e Jacarezinho, atingiu o maior índice de doações de órgãos de todo o Estado. A informação foi confirmada ontem, no Dia Mundial da Doação de Órgãos, pela Central Estadual de Transplantes (CET), vinculada à Secretaria Estadual de Saúde (Sesa).
O índice atingido foi de 16,93 doadores por milhão de população (pmp). A média nacional é de 12,5 pmp, e a estadual é de 14 pmp, segundo a CET.
Para a enfermeira Ogle Beatriz Bacchi, coordenadora do CRNT, com sede em Londrina, este desempenho é fruto de diversas ações, que vão desde a mudança de funcionamento das centrais, que passaram a atuar mais efetivamente junto aos hospitais, ao envolvimento dos funcionários destas instituições. Segundo ela, em 2010, a CRNT tinha 3 doadores pmp, e em 2011, 8 pmp.
''O salto foi extraordinário, mas passou por todo um trabalho de reestruturação de como atuar junto aos hospitais. Deixando um pouco de lado a parte administrativa e atuando mais na parte técnica operacional. Se a central apresenta um suporte técnico nesse sentido, treina os funcionários das instituições, o envolvimento sem dúvida será mais significativo e, a partir daí, os familiares que autorizam as doações já percebem como funciona todo o sistema'', destacou
Em todo o Paraná, o número de procedimentos cresceu 39,8% entre janeiro e agosto deste ano (256) em comparação com o mesmo período do ano passado (183). A maior parte foram transplantes de rim, fígado e coração. Somando os três órgãos, a alta até o mês de agosto foi de 48,4%, passando de 163, para 242 de um ano para o outro. Somente os tranplantes de rim aumentaram 57%, passando de 168 para 107 no Estado. Os procedimentos com fígado tiveram uma alta de 36,3%, indo de 44 para 60 no período de um ano; e em relação aos transplantes de coração, o aumento foi de 16,6%, passando de 12 para 14.
Segundo a coordenadora da CET, Arlene Badoch, diversos fatores influenciaram neste aumento: desde a melhoria na captação e transporte dos órgãos, a conscientização da população, as constantes capacitações dos profissionais de saúde e o trabalho desenvolvido pelas Comissões de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes (COPOTT).
Ela também ressalta que as campanhas educativas favoreceram a ampliação de doações e de transplantes. ''O objetivo é sensibilizar a sociedade sobre a importância da doação e a seriedade que envolve todas as ações. Mostramos que o transplante é um processo transparente, com critérios técnicos e que pode salvar milhares de vidas'', afirmou.
Hoje, em todo o Estado, 54 serviços são credenciados para a realização de transplantes de órgãos e tecidos. No Brasil, a autorização para a doação de órgãos é feita exclusivamente pela família do doador.


