Em Londrina, adesão de 40%
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quarta-feira, 14 de setembro de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
A adesão dos funcionários dos Correios em Londrina ao primeiro dia de greve nacional foi de 40%, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Comunicações Postais e Telegramas e Similares do Paraná (Sintcom). Depois da aprovação da paralisação na terça-feira, os trabalhadores passaram a noite num bloqueio em frente ao Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas, onde também funciona um dos quatro Centros de Distribuição Domiciliar (CDDs).
Ao se concentrarem no portão do Centro de Tratamento pela manhã, os funcionários impediram que seis caminhões carregados com cartas registradas e sedex deixassem o pátio, o que representa pelo menos 200 mil objetos que deveriam ser distribuídos nas primeiras horas e que corriam o risco de não chegar ao destino.
A agência da Área Central, conforme o Sintcom, contava durante a manhã com 50% da adesão. Na Zona Norte, o índice foi de 100% e na Zona Oeste, 10%. No Paraná, os Correios têm 5 mil funcionários e em Londrina 420.
A assessoria de imprensa da empresa contestou os números da greve na região. ''Em princípio, a situação está normal. As agências estão funcionando. O que aconteceu foi que dirigentes bloquearam prédios operacionais, mas estamos entrando com meios judiciais e policiais para que o trabalho comece. Esse bloqueio é ilegal'', disse o assessor de Comunicação dos Correios no Paraná, Paulo Araújo.
Para garantir a operação, os Correios contrataram trabalhadores temporários e transporte alternativo, utilizando dependências do 5º Batalhão da Polícia Militar (5ºBPM), onde está sendo feita a triagem dos objetos. ''Já escolheram o 5º BPM para inibir os trabalhadores quanto ao seu direito de greve. Eles também liberaram as motos para os funcionários levarem para casa e com isso obrigá-los a trabalhar'', afirmou o diretor em Londrina do Sintcom, Paulo Sérgio Gomes Prado.
''A empresa vem trocando as inflações do período por abonos ao invés de cumprir o nosso PCCS e diz que não tem condições de cumprir o plano. Chegamos a um ponto que a situação está difícil '', disse o diretor sindical, acrescentando que o salário líquido de carteiros, atendentes comerciais e operadores de triagem, entre outros é de R$ 380,00.
Paulo Araújo disse que a contraproposta da empresa prevê 11,9% de aumento, considerada o dobro do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do período e mais R$ 600,00 de abono.
A paralisação preocupa quem usa os serviços dos Correios. ''Por enquanto está normal o atendimento. Não estou bem inteirado sobre o movimento, mas acredito que, se demorar muito a paralisação, a população poderá ser prejudicada'', disse o corretor de imóveis Jafete Silva, 53 anos.


