A comercialização do femproporex - anfetamina utilizada como moderador de apetite - é fiscalizada pela Vigilância Sanitária. Todos os elos são controlados: médicos, farmácias e consumidores. Aliás, a prescrição da droga só pode ser feita por médicos cadastrados na Vigilância. Em Londrina, somente 50 profissionais têm essa autorização e, mesmo assim, a quantidade receitada é limitada. Endocrinologistas têm direito a 300 receitas por mês, enquanto os não especialistas têm metade desta quantidade.
Na semana passada a reportagem da FOLHA percorreu farmácias de manipulação, localizadas na região central. O objetivo era comprar a anfetamina sem receita médica mas nenhum dos estabelecimentos vendeu a substância. O diretor de Vigilância Sanitária de Londrina, Rogério Lampe, explica que para prescrever as substâncias do tipo B2 (anfetaminas) o médico precisa ter cadastro aprovado pelo órgão. Depois de aprovado, a Vigilância libera aos profissionais números de série para impressão de receitas médicas.
Cada folha deve ter um número diferente e a receita deve ser impressa em papel azul. O médico deve escrever corretamente o nome do medicamento, dosagem, posologia, nome do paciente e a data. Já no momento da encomenda, a farmácia retém a receita para posterior conferência com o número emitido pela Vigilância e da assinatura do médico. Além de ficar com a receita, a farmácia deve ter o nome do comprador, número da carteira de identidade e endereço. ''A farmácia deve conferir com os dados informados na receita médica porque a encomenda não pode ser feita em nome de outra pessoa'', observa Lampe.
As farmácias também devem registrar a saída da substância e os nomes do médico e do paciente. Tudo isso também deve ser informado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. ''É proibida associação de anfetamina e ansiolíticos (calmantes). Por isso, conferimos todas as vendas destas duas substâncias feitas um dia antes e um dia depois para que não ocorra a associação. Também analisamos nomes semelhantes e endereços parecidos'', explica o diretor da Vigilância. Ele lembra que anfetaminas podem causar dependências física e mental e até levar a pessoa à morte. A associação entre anfetaminas e ansiolíticos foi proibida há dez anos no Brasil.

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