Em Londrina, 13% da população é idosa
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quinta-feira, 26 de abril de 2018
Isabela Fleischmann<br>Reportagem Local 

Atenta, Maria Gomes Gonçalves, 84, assiste a palestra sobre compostagem no CCI - Oeste (Centro de Convivência da Pessoa Idosa). O Centro é um local da Secretaria Municipal do Idoso que oferece diversas atividades para a melhor idade. Londrina segue a tendência mundial de envelhecimento da população: 13% dos londrinenses são idosos. Maior expectativa de vida e menor taxa de fecundidade (menos filhos por mulher) são as principais razões para o aumento da terceira idade.
Maria toca flauta, faz artesanato, caminha e faz hidroginástica. Natural de Jequié, na Bahia, ela veio para Londrina aos 14 anos a fim de trabalhar com o pai na colheita de café. Ficou por aqui e construiu sua vida. Hoje ela mora com a filha e o genro e frequenta o CCI às terças e quintas: pega ônibus no jardim Tóquio para participar de ginástica e de palestras. "Ano passado teve oficina de memória, mas minha memória não está tão boa, não", ri. "É muito bom participar, a gente esquece dos problemas, distrai e arruma bastante colega", comenta.
A viajante Dolores Emídio Alcântara, 83, mora sozinha e é independente. "Adoro vir no CCI. Adoro aprender, viajar e curtir a vida. Tenho uma saúde abençoada por Deus, na minha família ninguém implica comigo porque não dependo de ninguém, eu que cuido de mim", conta. No Centro, ela costuma assistir aulas sobre o uso de smartphones. "Tenho whatsapp, adoro celular e computador", afirma. Dolores tem seis netos e sete bisnetos, o mais velho com 16 anos. Sua filha caçula tem 61 anos. "Viajo para todo canto", conta. "Mas no Brasil, porque outra língua não sei falar". Animada e proativa, Dolores completará 84 anos em agosto. Segundo ela, o segredo para se ter saúde é não se acomodar. "O pessoal fica só dentro de casa, atrás de lavar, passar, cozinhar, cuidar das coisas. Não curtem e não aproveitam a vida, então acabam ficando doentes. Se você fica preso num mesmo lugar sempre, como você vai desenvolver a sua mente?", questiona.
Julio Ananias Libanio, 84, também vive sozinho em Londrina. "Eu e Deus", conta. Há dois anos perdeu sua mulher, Maria Martins Libanio. "Vivemos 55 anos casados. Sinto falta", conta. "Sou feliz pelas filhas que tenho. Elas trabalham desde os oito anos de idade. A caçula está com 56 anos", relata. Libanio trabalhou como farmacêutico, foi empregado, vendeu cachorro-quente e sorvetes na rua. "Trabalhei até os 75 anos, depois minha mulher teve derrame. Larguei de tudo. Fui cuidar dela, com o apoio de empregadas porque só eu mesmo não dava conta, com as filhas trabalhando", comenta.
Londrina possui hoje dois CCIs, um na região leste - Rua Gabriel Matokanovic, 260 - e outro na região oeste, na rua Serra Pedra Selada, 111. "A cidade tem um olhar muito especial para o envelhecimento", alega Ana Karina Barbosa, responsável pela defesa dos direitos da pessoa idosa da Secretaria Municipal do Idoso. "Somos pioneiros tratando-se de Secretaria do Idoso. Também temos uma promotoria de defesa dos direitos da pessoa idosa", expõe. Ana disse ainda que a Secretaria tem um convênio com instituições de longa permanência para organizar os acessos às vagas nos asilos.
Cleir Jorge Brandão, gerente da atenção à pessoa idosa da Secretaria, argumenta que o objetivo dos CCIs é desenvolver o envelhecimento saudável, prevenir o isolamento social e a violação de direitos. "São ofertadas atividades voltadas ao envelhecimento, à qualidade de vida, saúde e diretos do idoso", explica.


