Em greve, gráficos do Grupo Bloch decidem amanhã continuidade do movimento
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 08 (AE) - Os gráficos da Bloch Editores realizam amanhã (09), às 9 horas, uma assembléia, em frente às oficinas em Parada de Lucas, na zona norte do Rio, para decidir se voltam a trabalhar embora não tenham recebido o salário de janeiro e a segunda metade do 13º de 1998. Hoje, a diretora do Grupo Bloch, Jacqueline Kappeller, prometeu ao presidente do Sindicato dos Gráficos do Rio, Benedito da Silva, pagar no máximo até quarta-feira os atrasados, porém, não conseguiu convencer a categoria a voltar ao trabalho sem receber.
A direção da empresa tinha prometido, em memorando, pagar os gráficos até a última sexta-feira. Até então, a categoria era a única de toda a holding que estava recebendo em dia. Como o dinheiro não foi depositado até as 16 horas de sexta, os gráficos pararam no sábado e só pretendem voltar ao trabalho com os salários atualizados. "Não vamos abrir mão disso", disse o vice-presidente do sindicato, Luiz Batista Bruno. "Se a greve perdurar, vai prejudicar a circulação das revistas "Amiga" e "Manchete", mas os outros trabalhos da gráfica já deixaram de ser feitos". No entanto, a assessoria de imprensa do Grupo Bloch garante que as revistas não serão prejudicadas porque ainda estão em fechamento e o problema deverá se resolver no máximo até quarta-feira. Nas outras publicações, como "Desfile", "Pais e Filhos", "Geográfica" e "Ele e Ela", parte dos funcionários foi demitida e as redações, reunidas numa só. Eles estão com os salários atrasados desde novembro. Televisão - Os funcionários da TV Manchete também ficaram sem receber. Em memorando colocado nos corredores e no saguão da emissora no mês passado, o presidente do Grupo Bloch prometia pagar um salário no quinto dia útil do mês, ou seja, sexta-feira passada, para todos os funcionários que estivessem trabalhando ou não. Eles estão em greve porque só receberam até setembro, mesmo assim só os que não foram demitidos naquele mês, quando a crise da emissora tornou-se pública.
Em janeiro, os jornalistas e radialistas que haviam voltado ao trabalho no início do mês, para colocar no ar o Jornal da Manchete, haviam recebido 40% dos salários. Segundo a assessoria de imprensa do Grupo Bloch, esta parcela era de responsabilidade da produtora RGP, ligada à Igreja Renascer, que repassaria o dinheiro ao Grupo Bloch. No entanto, os 60% restantes, que lhe caberiam pagar, também não foram depositados. Em São Paulo, a diretoria da Igreja Renascer e da produtora RGP não se pronunciam sobre o assunto. Ilegal - Há duas semanas, o Ministério das Comunicações divulgou um parecer declarando considerar ilegal o acordo entre o Grupo Bloch e a RGP para produção e comercialização de programas. Mas concedeu deu prazo até maio para as duas empresas regularizarem a situação de acordo com a lei de radiodifusão.


