Freetown, Serra Leoa (AE -AP) - Aqui, nuvens correm ao redor das estradas no topo dos montes, onde um denso nevoeiro abafa o barulho da cidade lá embaixo e a estação das chuvas traz frias brisas, dignas de uma manhã londrina, homens encontram-se num sonho de gentileza colonial.
Há gin Gordons no bar, uma sala para bilhar e uma mofada biblioteca cheia de novelas vitorianas. Houve-se o som da BBC através de uma janela quebrada e homens anseiam pelo drinque da tarde para ouvir as últimas notícias.
Os homens que vem governando esta nação do oeste da áfrica, primeiro os colonizadores britânicos e agora seus sucessores lenoeses, vêm encontrando-se por mais de 80 anos no Hill Station Club, um prédio caiado, em estilo colonial, meio decaído pelo peso da recente história do país.
Não importa o que aconteça, apesar da longa e sangrenta guerra civil, do violento golpe de estado e da paz instável, o clube sempre abre para a pequena elite de Serra Leoa, oferecendo boa cerveja, maneiras cavalheirescas e tranquilidade para poucos privilegiados.
"Olhe ao redor. Não há quase nenhum lugar respeitável ainda em funcionamento", diz Leslie Lymon, um antigo membro, general brigadeiro aposentado e ministro de gabinete da ex-junta, bebericando sua cerveja.
Mas a história está lentamente alcançando o Hill Station Club. O piso está rachado e gasto como num velho celeiro, a mesa de pingue-pongue não tem rede, as cadeiras plásticas do balcão estão velhas e as mesas de bilhar precisam de nova cobertura de feltro há vários meses. O vento sopra entre as fendas das paredes e uma lanterna a querosene é colocada à noite sobre os degraus da frente do prédio para que os membros não tropecem ao sair.
Somente o bar, cujo balcão é mantido bem polido como num pub britânico com seu jogo de dardos, suas paredes escuras e seus cremosos "pints" de Guinness, parece bem administrado.
"Nós precisamos de algumas renovações", reconhece Rupert Davis, um frequentador regular e chefe de protocolo do governo. "Nós temos enfrentado um estado de guerra por oito anos".
Foi durante outro conflito, a Primeira Guerra Mundial, quando os colonizadores britânicos criaram seu espaço. Eles construíram seu clube numa vizinhança de casas brancas, no alto da colina sob a cidade de Freetow, onde a altitude e as brisas poderiam afastar a sufocante umidade equatorial e manter as nuvens de mosquitos transmissores de malária mais abaixo, na cidade. Aqui, eles podiam beber seu gin e tônica e fingir, mesmo que por apenas algumas horas estimuladas pelo álcool, que estavam de volta ao Reino Unido. Mesmo quando o colonialismo acabou o os leoneses passaram a ser a maioria dos membros, o clube guardou seu jeito britânico.
Os membros atuais, em sua maioria, são habitantes das classes média e alta, que cresceram considerando-se britânicos e prestando reverências à rainha e ao seu país.
Estes homens governaram durante o turbulento período pós-independência, marcado por uma série de golpes e uma economia em queda espiral.
Os oito anos de guerra civil deixou Serra Leoa em ruínas. Dezenas de milhares de pessoas foram mortas, milhares tiveram suas mãos cortadas numa terrível campanha de terror e milhões fugiram de suas casas. Quarteirões inteiros foram destruídos em janeiro, numa ofensiva rebelde a Freetown.
A guerra finalmente acabou no final de julho, quando os rebeldes concordaram com a paz em troca de funções, num governo cujo poder é dividido.
Mas a maior desgraça para o clube aconteceu me 1997, quando um junta militar tomou o poder. Batalhas estremeceram Freetown por dias e milhares de expatriados foram evacuados. Os abastados leoneses deixaram o país em grandes quantidades. Os conflitos nunca atingiram Hill Station e a junta perdeu o poder no início de 1998, mas o clube ficou fechado por meses.
Finalmente, porém, ele reabriu. Um tanto quanto esfarrapado e com menos membros, mas ainda servindo Guinness. É um dos pouco lugares em Serra Leoa onde animosidades políticas desaparecem, perdidas em meio a ligações familiares e jogos de dardos. Não é difícil encontrar entre seus frequentadores membros do governo do presidente Ahmed Tejan Kabbah sentados próximos a oficiais da junta militar que causaram sua queda. "Se você quer encontrar formadores de opinião, você vem aqui", diz Aiah Koroma, tesoureiro do clube e chefe protetor das florestas aposentado. "Há políticos, servidores públicos do alto escalão e oficiais militares. Eles estão todos aqui".

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