EM FORMA PARA O VERÃO
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de setembro de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
A primavera nem começou, mas o calor já está dando seus sinais - e com ele começa uma ''corrida'' às academias para ficar em forma para o verão. A prática de atividade física, no entanto, pode deixar de ser um benefício para a saúde quando junto vêm os excessos. ''O maior erro é a pressa'', alerta o professor de educação física e personal trainer Cristian França, de Londrina.
França explica que é muito comum o aluno querer pular fases, pensando assim que vai chegar mais rápido à forma ideal. Mas para chegar, com saúde, ao nível avançado de atividade física é preciso passar pelas fases de preparação e intermediária.
Segundo França, as primeiras aulas, chamadas de diagnósticas, são importantes principalmente para o profissional de educação física, que vai avaliar em que nível se encontra o aluno. ''São nessas primeiras aulas que ele avalia o nível de força do aluno, sua base muscular, postura, respiração, coordenação motora'', explica, ressaltando que todos esses elementos também são resultado de atividade física. ''Nós temos uma memória muscular, que é o que você se exercitou na vida. A gente não perde totalmente o nível de força, por isso quem já fez atividade física volta mais rápido do que quem nunca malhou'', avalia.
Na academia, a fase inicial, que engloba exercícios básicos, mais leves e de intensidade moderada, pode demorar de 30 a 45 dias. Já para ter um bom resultado, aliando mudanças na alimentação para quem está fora do peso, são necessários quatro meses. ''O melhor é levar mais tempo para atingir um bom resultado do que ter que parar de treinar'', avalia o personal.
Segundo o ortopedista Marcus Vinicíus Danieli, especialista em joelho, quem já inicia um treino pesado, sem estar com a musculatura preparada, pode ter vários problemas musculares ou nas articulações. As lesões podem ser causadas por excesso de carga ou de frequência.
A tendinite, por exemplo, que é a inflamação do tendão, é muito comum. Há ainda a distensão muscular, lesão no músculo causada por excesso de peso ou por falta de alongamento. Sobrecarga também pode causar dores nas costas, dores articulares (punho e cotovelo), nas pernas e no joelho, este último principalmente por causa de agachamento com excesso de peso. ''Exercício é coisa altamente recomendável, que, na verdade, a pessoa não deveria parar, e sim fazer sempre. Mas, fazer tudo de uma vez só também não é saudável'', recomenda Danieli.
O ortopedista alerta que uma vez instalada a lesão, a recuperação pode ser lenta, com tratamentos se estendendo por vários meses, além do risco de ficar crônica. ''Por isso, antes de começar qualquer exercício a pessoa deveria ser avaliada antes, por um ortopedista, um fisiatra, ou mesmo um fisioterapeuta, um profissional que tenha noção de postura, de alinhamento dos membros, e que indique o melhor exercício para aquela pessoa'', afirma.
Como tudo na vida, o melhor é chegar ao equilíbrio - nem excesso e nem falta de atividade física. Danieli lembra que muitos dos problemas de dores, principalmente nas costas, são causados por falta de exercício. ''Tudo no nosso corpo depende de um balanço muscular. A gente está sempre lutando contra a gravidade, então se a pessoa não trabalha o alongamento da musculatura, o fortalecimento da musculatura abdominal, a musculatura das pernas e da coluna, ela fica sobrecarregada e há dor''.


