Em Feliz, 8% têm mais de 65 anos
Arquivo FolhaBaile realizado em Curitiba, ano passado: terapia contra solidão

Sandra Hahn
Especial para AE
De Feliz

Apontada pela ONU como a cidade com o melhor índice de desenvolvimento humano do País, a pequena cidade de Feliz, no Rio Grande do Sul, também se destaca nas estatísticas sobre idosos. Do total de 11 mil habitantes do município, 8% já passou dos 65 anos, segundo um levantamento realizado pela Caixa Econômica Federal no final do ano passado. Essa taxa, considerada alta para os padrões do País, está ligada à boa qualidade de vida, apontada pela ONU.
Na cidade, há muitas opções de lazer para os idosos. A principal delas é barulhenta e estimulante: são os bailes para a chamadada terceira idade. Grupos de idosos chegam a viajar para cidades vizinhas, quando elas também realizam festas. Aos domingos, a prefeitura coloca ônibus à disposição para essas viagens.
Os bailes funcionam como uma espécie de terapia contra a solidão. ‘‘A gente dança, ri e conta piadas’’, descreve Hildegard Reichert, assídua participante. ‘‘Algumas pessoas viviam em casa, sozinhas, deprimidas, e agora estão mais descontraídas.’’ Hildegard é viúva e mora sozinha. Seus quatro filhos deixaram a cidade, atraídos por ofertas de emprego no País e no exterior.
Amália Isolde Pöerch, de 70 anos e que também é viúva, conheceu seu atual namorado, João de Souza, de 73, em um dos bailes. ‘‘Agora a gente vive’’, diz ela. ‘‘Quando as crianças eram pequenas – e eu tive cinco filhos – a gente não podia.’’
A solidão é uma ameaça constante, principalmente por causa da evasão dos filhos jovens, em busca de oportunidade de emprego. O maior atualmente é o fechamento de algumas das poucas fábricas da cidade, o que provocaria um êxodo ainda maior.
Outro problema é a falta de um fundo de previdência municipal. ‘‘O custo com as aposentadorias ainda não é alto, mas no futuro vai pesar’’, prevê o prefeito em exercício, Nestor Steffens (PMDB). Ele também conta que a administração municipal está procurando criar empregos, estimulando a produção de hortifrutigranjeiros.
Entre os idosos, a queixa mais comum é a baixa qualidade do sistema
de atendimento pelo Sistema Único de Saúde no hospital da cidade. ‘‘Nossa maior preocupação em relação ao futuro é a saúde’’, diz Bruno Henz, descendente de alemães, de 79 anos, que gosta de tomar cerveja e dançar nos momentos de lazer, quando não está cuidando de seus animais e da lavoura. Ele trabalha desde os 6 anos.

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