Em estado de calamidade, Campos do Jordão conta os prejuízos com a chuva
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
Campos do Jordão, SP, 08 (AE) - Voltou a chover hoje de madrugada em Campos do Jordão, interior de São Paulo. A situação pode piorar nas próximas horas caso a previsão do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), se confirme. Segundo o órgão, há possibilidade de preciptações de intensidade semelhante a tromba dágua que atingiu o município no sábado. A cidade está sob estado de calamidade pública. "A previsão de prejuízo é de R$ 4 milhões", antecipou o prefeito Osvaldo Gomes.
Os funcionários da prefeitura, voluntários da Defesa Civil e bombeiros trabalham initerruptamente desde sábado (06). O plano preventivo municipal voltado às áreas de risco impediu uma tragédia sem precedentes. Rios de lama desceram dos morros e enormes cachoeiras barrentas envolveram as casas construídas nas encostas. "Nunca vi nada igual", comentou Gomes.
As chuvas torrenciais que caíram no final de semana danificaram 30 casas na periferia da cidade. Quatro delas foram totalmente destruídas. Há risco de as demais desabarem. Várias outras moradias sofreram graves problemas estruturais. Os bairros mais atingidos são Britador, Vila Jardim Paulista e Santo Antônio. Cerca de 60 famílias estão sendo transferidas das áreas de risco para locais mais seguros e sete outras se encontram desabrigadas. Não há registros de vítimas fatais.
A Defesa Civil será reforçada pelo governo estadual e Batalhão do Exército de Pindamonhangaba. Além de homens, serão enviadas máquinas pesadas para o desassoreamento do Rio Capivari. A calha recebeu muita lama e detritos arrastados pela força das águas. O rio, que atravessa toda cidade, transbordou. Cerca de 200 casas próximas a região do portal foram invadidas e algumas parcialmente destruídas.
Em sua trajetória, o rio atingiu também dezenas de pontos comerciais nos bairros centrais da Abernéssia, Jaguaribe e Capivari. As águas subiram cerca de seis metros em alguns pontos e encobriram a Avenida Frei Orestes, uma das principais vias do eixo comercial. O parque do teleférico, estação ferroviária, o lago dos pedalinhos e boa parte do bairro do Capivari ficaram submersos. "É o pior quadro dos últimos tempos e se chover vai complicar de vez", confessou o chefe da Defesa Civil, Donizete Tavares dos Santos.
O trabalho de limpeza dos locais atingidos já começou. Dezenas de árvores foram derrubadas, centenas de metros cúbicos de lama estão depositados sobre as ruas, quintais, áreas verdes e em áreas residenciais e comerciais vizinhas ao leito do Capivari. O diretor do Parque Estadual de Campos do Jordão, João Evangelista de Melo Neto, contou que a estrada que leva até o horto foi encoberta pelas águas do Rio Sapucaí-Guaçu, mas sem prejudicar as pontes do caminho. "A visitação aqui caiu pela metade por causa das chuvas", lamenta. Mais chuva - O Cptec informou que pelas últimas previsões a Serra da Mantiqueira terá novas tempestades de verão, pois uma frente fria chegou nesta segunda-feira ao Estado de São Paulo. As chuvas serão mais intensas nos dois primeiros dias, depois perdem intensidade. Mesmo assim haverá pancadas ocasionais e tempo nublado.
A previsão para hoje e amanhã (09) é de níveis precipitação entre 15 e 20 milímetros. Nos próximos dias, até sexta- feira, ficará entre 7 e 15 ml. O índice registrado no dia da catástrofe foi de 23,4 ml.


