Miami, 27 (AE-AP) - Aumentando a tensão na disputa política pela custódia do garoto Elián González, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou nesta segunda-feira (27) que os advogados dos parentes do menor em Miami não cumpriram com a ordem governamental de comprometer-se por escrito a não atrasar mais a devolução do menor ao pai, em Cuba, caso percam a apelação judicial - que aceitaram acelerar.
Simultaneamente, a rede de TV ABC exibia, pela primeira vez uma entrevista com Elián.
Durante o programa "Good Morning America", Elián deu detalhes de como salvou-se do naufrágio que causou a morte de sua mãe e de outros cubanos que tentavam entrar ilegalmente nos Estados Unidos em novembro.
"Minha mamãe não está morta nem está no céu", afirmou Elián à repórter da ABC Diane Sawyer, que passou dois dias entrevistando o garoto. "Ela está em algum lugar de Miami, deve ter perdido a memória e não sabe que eu estou aqui."
Durante a entrevista, Elián foi mostrado desenhando golfinhos enquanto uma prima, Marisleysis González, afirmava ter ouvido do garoto que animais como aqueles tinham-no ajudado a sobreviver nas águas do Estreito da Flórida.
A secretária de Justiça dos Estados Unidos, Janet Reno, tinha declarado na sexta-feira que não esperaria nenhuma outra decisão judicial, caso os advogados não acatassem a ordem do governo de acelerar o processo judicial. Dias antes, um juiz da Flórida tinha negado um pedido para que o garoto recebesse asilo político.
Em Havana, um dia depois de ter advertido que "as máfias de Miami seriam capazes até de matar o garoto para não devolvê-lo a Cuba", o presidente cubano, Fidel Castro, qualificou hoje de "monstruosidade" a exibição da entrevista com Elián.

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