Em dez anos, 17 agentes são assassinados no Paraná
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segunda-feira, 18 de abril de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Ameaças constantes fazem parte da rotina dos agentes penitenciários. "Vou te matar, Você vai ver lá na rua, Te vi tal hora com a tua família. Vou te pegar... A gente ouve isso direto dos presos. A gente chega para trabalhar e não sabe se vai voltar para casa", desabafa um agente penitenciário de Londrina que preferiu não se identificar.
Levantamento feito pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) aponta que 17 servidores da categoria foram assassinados entre 2007 e 2016 no Estado. Desse total, sete trabalhavam em unidades prisionais de Londrina. O último homicídio registrado pelo sindicato ocorreu na manhã de ontem, quando Gesiel Araújo Palma, de 34 anos, deixou a unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). "Trabalhamos juntos no domingo. Ele ficou no plantão à noite e eu fui embora", contou o colega.
Segundo o agente, Palma havia deixado o carro em um lava rápido da zona leste de Londrina. Pouco depois de sair com o veículo, a vítima percebeu problemas mecânicos, estacionou e pediu ajuda. "Ele entrou em um outro carro com a pessoa que o estava ajudando. Alguns homens passaram e atiraram contra ele", afirmou. O assassinato ocorreu por volta das 8h30, na Avenida das Américas, no Jardim San Fernando (zona leste).
Ao todo, seis cartuchos de pistola .45, arma de uso restrito das forças de segurança, foram encontrados no local do crime. Conforme o perito do Instituto de Criminalística de Londrina, José Denilson Santos, pelo menos três tiros atingiram o agente penitenciário. Palma não resistiu aos ferimentos e morreu na ambulância. O agente deixa esposa e filho.
A vítima foi agente penitenciário por dez anos. "Ele foi chefe de segurança na unidade, sofreu várias ameaças, chegou a mudar de cidade duas vezes... Era um profissional tranquilo, que cumpria bem o serviço. E quando os presos acham que você está sendo muito rigoroso, eles ameaçam mesmo. O preso tem acesso fácil a drogas e armas. A gente já vem brigando há muito tempo para que reforcem a segurança na unidade", acrescentou o colega de profissão. Como chefe de segurança, Palma era responsável por avaliar as punições relacionadas ao comportamento dos detentos.
O delegado sindical do Sindarspen em Londrina, Wilson Moreira, ressaltou que a vítima havia solicitado transferência para Maringá, onde passou a morar há pouco mais de um mês. "Era por questões pessoais. Ele fez um curso em Curitiba e queria fazer parte do Serviço de Operações Especiais (SOE) de Maringá", explicou.
A estrutura precária da PEL 2, desde a rebelião ocorrida em outubro do ano passado, e a escassez de profissionais estão entre os problemas listados pela categoria. Conforme Moreira, aproximadamente cem agentes estão lotados para trabalhar na unidade. No entanto, desconsiderando o número de profissionais em férias, os que apresentam atestado médico e os que estão em licença especial, há apenas 30 agentes por plantão. "A PEL 2 abriga, aproximadamente, 770 presos. Precisamos ter, no mínimo, 170 agentes, sendo 50 por plantão. Temos buscado melhorias junto ao Depen [Departamento de Execução Penal] e à Secretaria de Segurança Pública. A tensão aumenta cada vez mais", argumentou. O aumento no número de profissionais é reivindicado para unidades em todo o Estado. Para ele, a quantidade de crimes contra agentes de Londrina reflete a presença do "crime organizado, dentro e fora da prisão". No início de fevereiro, outro agente penitenciário da PEL 2 foi baleado no Jardim San Fernando. Ele recebeu atendimento médico e se recuperou dos ferimentos.
Em nota, a assessoria de imprensa do Depen informou que o órgão "determinou que não haja movimentação de presos nas unidades penais do Paraná por 24 horas e na PEL 2 por 72 horas, para que sejam realizadas diligências". A intenção é apurar se o crime está relacionado à profissão do agente penitenciário. Durante esse período ficarão suspensas as aulas dentro das unidades e a jornada de trabalho dos presos. "O Departamento aguarda também o posicionamento da Polícia Civil para definição de novas medidas." Em nota, a assessoria da Polícia Civil informou apenas que foi aberto inquérito policial na Delegacia de Homicídios de Londrina para apurar o crime.


