São Paulo, 01 (AE) - O vereador Vicente Viscome (sem partido), que se entregou à Corregedoria da Polícia Civil ontem (31) à noite, alegou, em depoimento hoje de manhã, desconhecer eventuais esquemas de propinas na Administração Regional da Penha. Trajando calça e camisa clara, Viscome chegou à sede da Divisão de Registros Diversos (DIRD), às 9 horas, acompanhado pelo delegado operacional da Corregdotria, Laerte Mazaggão. Segundo o delegado Naief Saad Neto, que preside o inquerito, na primeira parte do depoimento o vereador respondeu como funciona o esquema de comando político da Administração e Regionais.
Viscome afirmou que assumiu a Penha por indicação do prefeito Celso Pitta (sem partido) e negou que houvesse qualquer tipo de negociação. Antes disso, na gestão do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), ele detinha o controle da regional de São Miguel Paulista.
Em seguida, os delegados e promotores do Grupo de Combate e Repressão ao Crime Organizado (GAECCO) questionaram o vereador sobre sua vida pessoal e política. A previsão é de que o depoimento termine à noite, podendo ser retomada amanhã (02). "Ele terá de explicar sobre as acusações contra ele" disse o delegado Saad.
O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos fiscais ,vereador Nilton Leite (PMDB), esteve no DIRP . Ele quer que Viscome preste depoimento à CPI na proxima semana.
Leite evitou comentar sobre a possivel cassação do mandatoo do vereador. "Queremos ouvi-lo primeiro", justificou. "Se dissermos que já temos as peças para a cassação, estaríamos fazendo um pré-julgamento", afirmou o parlamentar. O relatório da CPI sobre a Penha deve estar concluído na próxima quinta-feira.
No meio da tarde era esperada a chegada da assessora de Viscome, Tania de Paula. Ela chegou hoje de Porto Seguro (BA), onde tinha ido passar as férias. Não estava descartada a hipótese de uma acareação entre ela e o vereador.
O promotor José Carlos Blat comentou as alegações da defesa de Viscome, de que Tania teria sido coagida a confessar sua participação e a do vereador Viscome no esquema de propina da regional da Penha. Blat considerou essa alegações "absurdas, desmedidas e irresponsaveis." Segundo o promotor, "qualque ilação em relação ao trabalho da força tarefa que investiga o caso será considrada caluniosa". O delegado Saad Neto também repudiou essa declaração do advogado de Viscome, Sidney Machado, a uma emissora de televisão. "Os depoimentos de Tania são coereentes, o que mostra que ela falava espontaneamente" disse o delegado. "Houve coerência nos seus depoimentos tanto na polícia quanto no Ministério Público e na Câmara."

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