Londrina - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ouviu empresários e novas testemunhas sobre a suspeita de fraude na contratação da empresa Providence Auto Center que executava a manutenção de veículos do governo do Estado. Os empresários Luiz Abi, Ismar Ieger e Roberto Tsuneda, além do advogado José Carlos Lucca decidiram permanecer em silêncio durante depoimento. Os quatro estão presos desde a última segunda-feira quando foi deflagrada a Operação Voldemort.
O advogado que representa Luiz Abi, Marcello Alvarenga Panizzi, atua no gabinete do líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná, posto ocupado pelo deputado Luiz Claudio Romanelli (PSDB). Na saída da sede do Gaeco, Panizzi disse apenas que conhecia o primo de Beto Richa, Luiz Abi, "do governo". O desconforto ao relacionar Luiz Abi à administração estadual fez com que os assessores do deputado encaminhassem uma nota de esclarecimento à imprensa.
Conforme a nota, o advogado "exerce a função de assessor jurídico de plenário, o que não gera incompatibilidade legal no exercício da advocacia privada. Alvarenga prestou o primeiro atendimento a Luiz Abi a pedido do advogado de defesa do caso, Sérgio Botto de Lacerda", ex-Procurador Geral do Estado.
Advogados dos investigados negaram a relação dos clientes com Luiz Abi. O promotor do Gaeco, Claudio Esteves, destacou que as outras testemunhas conduzidas ao Gaeco colaboraram com a apuração dos fatos. "Algumas pessoas prestaram informações extremamente relevantes para a investigação. O que nós esperamos é que, no conjunto total das medidas que ainda estão sendo cumpridas, tenhamos um resultado bastante positivo no esclarecimento dos fatos", explicou sem detalhar os fatos.
A Providence Auto Center, com sede em Cambé, foi contratada pelo governo do Estado em caráter emergencial por 180 dias. O montante que seria repassado à empresa é estimado em R$ 1,5 milhão. Até o momento, a participação de cada um dos investigados e o valor que teria sido superfaturado não foram revelados pelo promotor.
A empresa KLM Brasil Equipamentos Eletrônicos, de propriedade de Luiz Abi e Roberto Tsuneda, é vizinha à Providence Auto Center. A relação entre as duas empresas não foi detalhada pelo Gaeco. No mesmo endereço da KLM Brasil Equipamentos Eletrônicos funcionam a KLM Brasil Empreendimentos Imobiliários e a KLM Brasil Indústria Eletrônica. Nesta última, os sócios são parentes de Luiz Abi e a esposa dele, Eloiza Abi, é a representante legal de um dos adolescentes que faz parte da sociedade. Após a divulgação dos fatos, Eloiza Abi, que é servidora de carreira na Sercomtel e atual vice-presidente da empresa, decidiu se licenciar do cargo por dez dias sem remuneração.
Além dos quatro presos, o empresário do setor de combustíveis, Paulo Roberto Midauar, detido em São Paulo, é esperado até a tarde de hoje na sede do Gaeco. O advogado dele, Maurício Carneiro, apresentou um pedido para que Midauar possa ser encaminhado ao quartel do Corpo de Bombeiros, onde permanecem presos Luiz Abi e José Carlos Lucca. Os outros dois detidos estão na Penitenciária Estadual de Londrina. O diretor do Departamento de Transporte Oficial, Ernani Delicato, é considerado foragido.

FRAUDE

A promotoria de Defesa do Patrimônio Público dá continuidade às investigações relacionadas a suspeita de corrupção na Receita Estadual. Conforme o promotor Renato de Lima Castro, uma denúncia anônima levou o Ministério Público a investigar a venda de dois imóveis de propriedade do auditor fiscal afastado Orlando Aranda, que segue preso na PEL 2.

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