Em Curitiba, quase 600 já fizeram exame
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segunda-feira, 28 de março de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- De quarta-feira da semana passada até a manhã de ontem, quase 600 pessoas haviam procurado as unidades de saúde de Curitiba para fazer coleta de sangue para diagnóstico da doença de Chagas. Das cerca de 300 amostras já encaminhadas ao Laboratório Central do Estado (Lacen), 112 foram analisadas. Nenhuma delas apresentou resultado positivo para a presença do parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença.
De acordo com a diretora de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Curitiba, Karin Regina Luhm, só na unidade da Praça Ouvidor Pardinho, a mais central, foram realizadas 108 coletas, até a manhã de ontem, quase 20% do total. Durante a tarde outras 30 pessoas aguardavam a realização do exame.
O contador Célio Moadir Silva, de 66 anos, esteve na unidade de saúde ontem. Ele não apresentou sintoma, mas como tomou caldo de cana no dia 12 de março, em Camboriú (SC), achou melhor fazer o exame. Já a mulher dele, Rosali Silva, 65 anos, que também procurou a unidade de saúde ontem, queixou-se de inchaço nas pálpebras e vermelhidão nos olhos.
A orientação é de que todas as pessoas que estiveram no Litoral de Santa Catarina, entre 1º de fevereiro e 20 de março, e tomaram caldo de cana, façam o exame. Quem já apresenta sintoma da doença (febre alta, dores musculares e de cabeça, mal-estar geral) deve procurar as unidades de saúde 24 horas, para avaliação clínica e exames, inclusive, eletrocardiograma.
A Secretaria de Estado da Saúde encaminhou instruções às regionais sobre a fiscalização de pontos de venda de caldo de cana. Em Curitiba, 45 dos 702 locais já passaram por vistoria. Segundo a assessoria de imprensa, o trabalho de fiscalização é rotineiro. O que está sendo reforçada é a orientação de como acondicionar a cana e sobre os cuidados com a higiene na hora do preparo da garapa.
Conforme Karin Luhm, muitas pessoas estão procurando as unidades de saúde, levando insetos que se assemelham ao barbeiro. Ela explicou que existem vários besouros da mesma família do barbeiro, mas que apenas os hematófagos é que podem transmitir a doença. ''Nós estamos fazendo uma classificação entomológica e aqueles que são sugestivos estão sendo encaminhados para exame parasitológico'', explicou.


