O arcebispo de Mariana (MG), dom Luciano Mendes de Almeida, disse ontem que o governo federal deveria incluir no seu orçamento recursos específicos para combater a seca no Nordeste. O religioso foi diplomático ao comentar as declarações do presidente Fernando Henrique Cardoso, que na terça-feira classificou de imorais, irresponsáveis e demagógicas as declarações de apoio a saques. ‘‘Não queremos discutir o que o presidente disse, mas chamar atenção para os fatos’’, afirmou. Também disse que em caso de fome saque não é crime.
De acordo com dom Luciano, o governo deveria rever o orçamento para estabelecer as prioridades. Segundo ele, a seca no Nordeste e a reforma agrária são pontos que devem ser atendidos com urgência. ‘‘Se temos recursos para outras coisas, temos de ver o que é prioritário’’, argumentou o bispo, participando da 36ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em Indaiatuba, interior de São Paulo.
Considerado uma das lideranças do episcopado nacional, dom Luciano defendeu um ‘‘mutirão de solidariedade’’ aos flagelados da seca. O movimento, segundo ele, deveria envolver a sociedade e o governo. ‘‘A Igreja também quer colaborar’’, garantiu.
Para o bispo, as pessoas que participaram de saques para matar a fome não cometeram crime. Em sua opinião, ‘‘faltou bom senso’’ àqueles que desaprovaram esta prática. ‘‘Respeito muito o presidente, mas espero que ele faça o necessário para salvar essa gente’’, afirmou. Para dom Luciano, apesar das medidas de emergência anunciadas pelo governo, ‘‘ainda falta fazer muita coisa’’.

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