Em Cascavel, a manifestação dos caminhoneiros bloqueou na manhã de ontem um ponto estratégico do sistema rodoviário do Estado, a confluência das BRs 277, 369 e 469. Estas rodovias fazem respectivamente a ligação entre a região de fronteira internacional (Paraguai e Argentina) com Curitiba e o Porto de Paranaguá, e também com o Norte do Paraná, com a fronteira com o Paraguai (via Guaíra) e com o Mato Grosso do Sul.
A manifestação ocorreu no Trevo Cataratas, onde se juntam as três rodovias, a leste de Cascavel.
Durante três horas, os caminhoneiros interditaram por completo o tráfego de veículos pesados, liberando apenas os que transportavam cargas perecíveis, os automóveis e ônibus de linhas regulares.
Patrulheiros rodoviários estaduais e federais procuraram facilitar o fluxo do tráfego liberado, mas filas foram formadas. Motoristas de caminhão que tiveram que parar não reclamaram da manifestação. Muitos desceram para tomar chimarrão com os líderes da mobilização. Após as três horas de manifestação, a interdição foi intercalada com liberações momentâneas. O tráfego só foi completamente liberado por volta do meio-dia.
Em meio à manifestação, os caminhoneiros explicavam o porquê do protesto. ‘‘Nós vivemos na estrada e é claro que somos mais suscetíveis à multas que os motoristas não profissionais’’, reclamou Epitácio Antonio dos Santos, 47 anos, em referência à progressividade de multas e a possibilidade de perda da carteira de habilitação, contida no projeto do novo Código Nacional de Trânsito.
Motorista de ônibus há 27 anos, Santos reclamou também da aposentadoria apenas após os 35 anos de contribuição e 60 anos de idade. ‘‘O motorista que tiver mais de 40 anos de idade e perder o emprego não arruma outro’’, acrescentou o caminhonheiro.
Segundo ele, algumas empresas de ônibus só aceitam profissionais jovens para trabalhar. ‘‘Em consequência, o desempregado vai ter que virar motorista de carrinho de catar papel’’, ironizou Santos.

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