Paulo Pegoraro
De Cascavel
A negociação aberta pelo Banco do Brasil (BB) na manhã de ontem pode ter evitado conflito de lavradores assentados da região de Cascavel com a Polícia Militar (PM). Havia temor de confronto, por volta das 10 horas, porque os assentados estavam dispostos a impedir o expediente da agência, e revoltados com episódios de sexta-feira, quando dois manifestantes foram mordidos por cachorros da PM e duas mulheres disseram ter sido agredidas fisicamente por soldados.
Os assentados, que estão acampados na frente da agência desde quinta-feira, comemoraram o início da negociação para liberação de recursos que reivindicam, para investimento nas propriedades e custeio das lavouras. Eles estavam dispostos a resistir à PM, que manteve pessoal no quartel pronto para intervir, caso houvesse solicitação da gerência. ‘‘Não sei o que vai dar, mas não podemos afrouxar agora’’, disse Élcio Reisler, um dos coordenadores dos cerca de quatrocentos manifestantes.
‘‘Acho que vai dar sujeira’’, disse outro coordenador, identificando-se apenas como Nelson. No entanto, minutos depois, o superintendente regional do BB, Mariano Delgado, informou que a agência estava pronta para discutir caso a caso a liberação de recursos, dentro das regras definidas – que não contemplam a totalidade dos assentados. Os manifestantes então liberaram a entrada da agência, com a perspectiva de iniciar hoje a assinatura de contratos.

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