Em busca do sonho
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quinta-feira, 06 de abril de 2017
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 

Oito horas da noite de uma segunda-feira. Avenida Tiradentes parada. No trânsito da principal ligação entre o centro e a zona oeste de Londrina, os potentes alto-falantes dos carros antecipam a trilha sonora que vai dominar a noite na ExpoLondrina: sertanejo universitário, é claro. Se não há como disputar na velocidade, os jovens promovem uma frenética competição de decibéis. O ritmo contagia alguns passageiros dentro de um ônibus que passa lotado rumo à Exposição. O show do dia é da dupla Pedro Paulo e Alex.
Duas horas depois, cerca de 15 mil pessoas lotam a arena de shows do Parque Governador Ney Braga para ver a dupla surgida em 2010, em Umuarama, no Noroeste. Quando o show começa, a multidão acompanha em coro com as letras na ponta da língua. Enquanto a plateia feminina vai à loucura com o rebolado dos rapazes, os garotos investem na azaração. Ao final, PPA, como são conhecidos, deixam o palco sob gritos e aplausos.
A dupla, no entanto, lembra que não foi sempre assim. No início da carreira, Pedro Paulo e Alex tocaram em muitos barzinhos para pouca gente em Umuarama. "Foi uma batalha bem árdua. A caminhada é longa, mas quando se tem um sonho e se faz tudo certo, o resultado é gratificante", comenta Pedro Paulo. "Foi bem difícil, sim, nosso início. Mas nunca pensamos em desistir. Esse era nosso sonho e quem desiste não alcança", completa Alex.
O sonho de se tornar um astro de renome nacional é comum a muitos artistas e duplas do Norte do Paraná. Se antes se destacar no cenário já era complicado, hoje a tarefa é ainda mais difícil. Isso porque o sertanejo rompeu todas as barreiras que o prendiam ao interior do País. A música que tocava forte no Norte do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e no Centro-Oeste dominou o País. Nos últimos dez anos, o sertanejo universitário tomou conta das listas de mais tocadas e invadiu casas renomadas de grandes centros como São Paulo e, mais recentemente, até o carnaval da Bahia.
Conseguir se sobressair em meio a tantos concorrentes é um processo comparável a uma "peneira" de futebol. Milhares se lançam e poucos conseguem atingir o topo. Quem está perto de marcar o gol de placa da carreira é a dupla Antony e Gabriel, de Londrina. Há pouco mais de dois anos eles sequer pensavam em cantar juntos. Tudo mudou no dia que postaram um vídeo descontraído na internet tocando uma versão sertaneja e inusitada do funk "Beijinho no Ombro", de Valesca. "O pessoal do sertanejo gostou muito e nos abraçou. Até hoje esse é nosso estilo, mais despojado", comenta Antony Corrêa.
Em dois anos, eles já conseguiram 200 milhões de visualizações no Youtube, fizeram shows por todo o País, passaram a integrar o escritório Talismã, de Leonardo e Eduardo Costa e, em março, gravaram o primeiro DVD da carreira, no Centro de Eventos de Londrina. A rápida ascensão é uma exceção. "Eu mesmo não cheguei a fazer muito barzinho. Meu parceiro [Gabriel], que tinha uma banda que também tocava outros estilos, tem mais experiência nessa área", conta. "A primeira vez que pisei num palco já tinham mais de mil pessoas na plateia. É assustador", confessa.
PRESENÇA FEMININA
Desde o surgimento de Paula Fernandes, as mulheres ganharam força dentro do gênero. Nos últimos anos, a lista só aumentou: Marília Mendonça, Maiara e Maraísa, Simone e Samaria. De olho nesse filão, Karina Pinheiro, de 18 anos, também aposta todas as fichas nas música. Ela mora em Tomazina (Norte Pioneiro) e começa a emplacar shows com seu violão em toda a região. Recentemente, gravou um clipe para uma de suas composições. Karina revela que viver de música não é uma tarefa fácil. "O começo é sempre difícil, né? Já ouvi vários nãos, cheguei a vender rifa para levantar dinheiro para gravar músicas. A gente passa frio, sono, cansaço, mas acho que tudo vale como um aprendizado", acredita.
Karina diz que até gosta do sertanejo de balada, mas prefere as românticas. "Combina mais comigo, mas tem espaço para todo mundo", diz. Antony, que nunca tinha saído do Paraná antes de começar a se apresentar, diz que as preferências mudam conforme o lugar. "Nós nos destacamos aqui no Paraná tocando música que fala de festa, como a 'Eu te amo, pinga'. Quando chegamos para tocar em Rondônia, fomos surpreendidos. Lá, a nossa música de sucesso era outra, uma de sofrência", brinca. Antony acha legal as músicas animadas, mas condena as letras que vulgarizam a mulher. "No mundo de hoje não tem mais espaço para isso. Tudo evolui e a música tem que acompanhar."
Em meio a todo o sucesso, ainda há quem torça o nariz para o gênero, mas os números de vendas mostram que o estilo das botas, calça jeans e chapéu está longe de sair de moda. Quem chegou lá aconselha: "Tem espaço para todo mundo, mas duas coisas são essenciais: sem simplicidade e simpatia não se chega a lugar nenhum", aconselham Pedro Paulo e Alex.


