Londrina - "A nossa missão aqui é mostrar que existem várias maneiras e vários caminhos para a vida que não seja a violência." A frase da psicóloga Renata Maciel de Freitas aponta o objetivo a ser alcançado pelo Projeto Caminhos. O serviço é o resultado de um convênio entre o Ministério da Justiça e a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), em parceria com a 6ª Vara Criminal de Londrina. O público-alvo são homens autores de violência doméstica contra a mulher. O projeto é inédito no Paraná.
Os agressores são encaminhados ao programa através de uma intimação judicial, após a decretação de ações protetivas a favor das mulheres. Eles são atendidos em grupos de reflexão, por advogados, assistentes sociais e psicólogos. A maioria dos participantes fez ameaças ao cônjuge, além de ter cometido agressões físicas, psicológicas e verbais.
"Os encontros são importantes para que esses homens repensem os padrões de masculinidade, que entendem que a agressão é uma forma de punir a mulher. É o momento que eles podem refletir e buscar outros caminhos", explica Renata de Freitas, coordenadora do projeto.
O Projeto Caminhos começou em fevereiro e já acolheu 200 homens. Destes, 100 ingressaram nos grupos de reflexão, que são formados por, no máximo, 14 integrantes. Ao todo são 12 encontros e seis grupos já foram finalizados.
Nas reuniões são abordados temas como as diferenças entre os gêneros masculino e feminino, histórias de vida e da família, como resolver os conflitos e lidar com os sentimentos como a raiva. "Aqui os homens choram, contam suas dificuldades e o que pensam sobre a violência e o sofrimento. Eles compreendem que é possível mudar. O importante não é o que sentimos, mas sim como lidamos com eles. Não se pode descontar os nossos problemas nos outros", ensina Renata.
Ao longo do caminho, alguns abandonam o programa, mas a Justiça tem agido com rigor nestes casos, aplicando uma multa de R$ 50 por cada ausência nos encontros. Os resultados, no entanto, têm sido satisfatórios. Nenhum homem que passou pelo projeto voltou a cometer agressões.
"No início, 80% questionavam que não sabiam por que estavam aqui, mas no final quase todos agradecem pela oportunidade de poderem pensar nas suas atitudes", orgulha-se a coordenadora.
Para a promotora de justiça da 6ª Vara Criminal de Londrina, Susana Lacerda, o programa é fundamental para evitar a reincidência e para que a pena cumpra o seu papel de ressocialização na sociedade. Segundo ela, os resultados têm sido altamente positivos. "Observamos durante as audiências dos processos em andamento que há uma mudança de comportamento dos agressores e até das vítimas em relação a esses homens. A partir do momento em que eles compreendem a situação, diminui a violência contra a mulher e também em relação aos filhos", aponta.
A missão agora é não deixar o projeto acabar, já que a validade é de um ano. "A Lei Maria da Penha prevê o trabalho também com os homens autores de violência e por isso já solicitamos à Seju que renove o convênio com o Ministério da Justiça para não perdemos o trabalho que foi feito até agora", ressalta Renata de Freitas. "A nossa luta é pela continuidade do movimento e para que o programa deixe de ser um projeto e se torne uma política pública no município", defende a promotora.

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