Curitiba - Os servidores públicos municipais de Curitiba decidiram ontem em assembleia suspender a greve que realizavam desde a última quarta-feira. A decisão foi tomada após a Justiça Estadual julgar um recurso impetrado pelos sindicatos que representam a categoria e determinar que 90% dos servidores permaneçam trabalhando em áreas que prestam serviços básicos à população.
O percentual foi definido pelo juiz João Henrique Ortolano, ao analisar um embargo de declaração interposto pela assessoria jurídica dos sindicatos dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc) e dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac). Na ação, a defesa pedia que o juiz esclarecesse os condições propostas pela liminar, concedida na última quinta-feira, que determinava que os sindicatos disponibilizassem ''servidores em número adequado para manterem o funcionamento integral dos serviços básicos (...)''.
A decisão de que apenas 10% dos servidores poderiam aderir à greve foi confirmada pelo desembargador do Tribunal de Justiça, Xisto Pereira, na análise de outro recurso também questionando a liminar. De acordo com o diretor jurídico dos sindicatos, Ludimar Rafanhin, as entidades pretendem recorrer das decisões. ''É contrário a tudo o que a própria decisão anterior diz. Você diz que há direito de greve, mas impõe restrições que a tornam impossível'', disse. O advogado afirma que, se necessário, pode levar a discussão ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele acredita que os servidores estão sendo cerceados no direito constitucional à greve.
Apesar da suspensão, a intenção, segundo os sindicatos, é manter a categoria mobilizada. As entidades já anunciaram que deverão realizar uma manifestação hoje pela manhã no centro da cidade.
De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, ontem, 681 servidores da Saúde e da Educação deixaram de comparecer ao trabalho. Três escolas ficaram fechadas e 12 unidades de saúde operaram com o contigente reduzido.

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