Londrina - Na Região Metropolitana de Londrina, os problemas enfrentados pela Polícia Civil para alojar os presos que ainda não ingressaram no sistema penitenciário - superlotação, falta de agentes carcerários e problemas de infraestrutura - se repetem de cidade em cidade.
Em Assaí, município de 16.099 habitantes (segundo estimativa oficial do IBGE para 2012), abriga nos finais de semana até 40 detentos num espaço projetado para 24 pessoas. Em Ibiporã (49.111 moradores), o problema é ainda mais grave são 82 presos amontoados em seis celas com apenas quatro lugares cada.
O novo delegado de Assaí, Flávio Augusto Junqueira Enout, tem outras preocupações além da superlotação. Ele quer resolver o problema de saneamento básico da unidade, que está com a capacidade das fossas sépticas quase esgotadas. A solução, segundo Enout, é fazer a ligação do prédio com a rede de esgoto. Enquanto isso não acontece, a cada dois dias a polícia solicita um caminhão coletor para evitar o extravasamento para a superfície. ''Dois dias depois da limpeza, o odor já é muito forte'', reclama o delegado.
Como quase todos os outros delegados da região, Enout também aguarda a remoção de 14 condenados para o sistema penitenciário. ''Ficaríamos numa situação muito mais tranquila se eles fossem removidos'', afirmou.
Enout baixou normas para tentar melhorar as condições de trabalho da sua equipe e poder liberá-la para as diligências, impossíveis no regime antigo. Em vez de sessões diárias de visita, agora os presos só podem receber visitas às quintas-feiras à tarde. Os visitantes podem trazer apenas duas sacolas, uma com roupas, outra com alimentos. O banho de sol, antes diário, passou a ser semanal.
''Eles têm que entender que estão presos e precisam respeitar uma disciplina'', disse Enout, que acredita que o crime mais cometido na cidade seja a agressão contra as mulheres.
As medidas desagradaram as famílias dos presos. Uma mãe de detento disse que o neto vem sofrendo muito com a determinação de ver o pai apenas uma vez por mês. ''Antes desse delegado, ele podia ver o pai toda semana''.
O delegado de Ibiporã, José Arnaldo Perón Martins, não quis comentar a situação do distrito que comanda e, como Enout, não permitiu o ingresso da reportagem na ala dos presos. No entanto, um funcionário da delegacia disse que o prédio precisa com urgência de uma obra de ampliação, especialmente na carceragem. ''Também precisamos de pelo menos mais seis investigadores. Hoje a equipe tem nove e não dá conta do trabalho. A cidade já está com 50 mil habitantes. Há pelo menos uma situação por dia que cria uma nova demanda, uma nova investigação'', afirmou. Em Ibiporã, pelo menos 12 condenados estão presos na delegacia, aguardando remoção.
Outras cidades - Cinco das 15 cidades estão com delegacias desativadas na RML. Em Tamarana, o imóvel está fechado há mais de dois anos e foi alvo de vândalos. Paredes foram pichadas e vidros, quebrados. Em Florestópolis, a delegacia está fechada há mais de dez anos.
Em Alvorada do Sul, a delegacia é ocupada de forma integrada pela Polícia Militar. Um policial civil ad doc, cedido pela Prefeitura, é o único a fazer trabalho de digitação e catalogação dos inquéritos. ''Quando é feito o flagrante encaminhamos o detento para Bela Vista do Paraíso'', informou o sargento Claudinei José da Silva. Os municípios estão a 25 quilômetros de distância um do outro. A PM é obrigada a fazer a transferência do preso.
O acúmulo de serviço é outro fato negativo. Em Rolândia, o delegado Valdir Fernandes é o responsável pelos inquéritos de outros três municípios (Jaguapitã, Pitangueiras e Guaraci).
Na Delegacia de Jaguapitã são mantidos 51 presos, em um local projetado para abrigar 18 pessoas. ''A atividade investigativa fica atrelada à custódia de preso'', criticou um investigador cuja identidade foi preservada.

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