Em 96, Incra investiu mais em pessoal que em projetos
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sexta-feira, 18 de abril de 1997
Agência Estado de Brasília 
No ano passado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) investiu mais na área administrativa do que na reforma agrária. Os recursos utilizados para pagamento de diárias e passagens aéreas foram superiores aos gastos em ação fundiária (regularização e demarcação). Além disso, de R$ 1,5 bilhão que tinha disponível no orçamento de 1996, o Incra deixou de gastar cerca de R$ 99 milhões.
Isso mostra que o Incra deixou de investir na reforma agrária no ano passado, observa o deputado Augusto Carvalho (PPS-DF), que fez a constatação ao pesquisar o orçamento de 1996. Para os projetos de reforma agrária e colonização, o Incra gastou R$ 109,6 milhões em 1996, menos da metade do que utilizou para a manutenção de serviços administrativos, que foi R$ 247,7 milhões.
Os gastos com benefícios a servidores, segundo a pesquisa do deputado, também foram superiores aos realizados com manutenção e atualização do cadastro rural. Para atender 11.825 funcionários com vales-transporte e refeição (cinco mil vales-transporte e 6.825 refeição), o Incra gastou R$ 7,7 milhões. No cadastro, os recursos disponíveis foram de R$ 6,8 milhões.
Em assistência médica e odontológica a servidores, o Incra gastou R$ 13,9 milhões, duas vezes mais do que investiu em ação fundiária, para onde foram alocados R$ 5,5 milhões. Esses valores são duas vezes menores do que os utilizados em diárias para funcionários, onde o Incra gastou R$ 17,3 milhões. Em passagens aéreas, os gastos somaram R$ 4,9 milhões. O pagamento dos serviços de vigilância, R$ 5,5 milhões, também foram superiores aos investimentos em ação fundiária, cujo orçamento só foi inferior ao gasto em serviços de limpeza - R$ 2,8 milhões.


